sexta-feira, 11 de novembro de 2011

LIÇÕES DO CATECISMO - 3

 Salve Maria Santíssima!
Aqui estão mais alguma lições do Catecismo. Boa leitura, bom final de semana e feriado para todos. Estaremos, Jonatan e eu, durante o feriado, fazendo os Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, em silêncio junto as irmãs e a um padre do Instituto do Verbo Incarnado em Ponta da Fruta, Vila Velha. Oremos pelo crescimento espiritual de todos os cristãos que buscam o Senhor com suas forças, mesmo que vacilantes... a Graça supera a natureza... 

8ª. LIÇÃO

O homem – a mais nobre e perfeita criatura da terra

*Quem criou o homem?
         Foi Deus quem criou o homem dando-lhe um corpo material e uma alma espiritual, dotada de inteligência e de livre vontade.
         (Gn 2, 7) “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra e inspirou-lhe no rosto um sopro de vida e o homem tornou-se um ser vivente”.

*Para que Deus nos criou?
         Sendo Deus a bondade infinita, Ele nos criou para conhecê-lo e amá-lo e para, assim, nos tornarmos participantes de sua felicidade.

*Como se chama o primeiro homem?
         O primeiro homem chama-se Adão e a primeira mulher chama-se Eva. A primeira mulher – como diz a Escritura – foi formada do primeiro homem. Como isso se realizou é um grande mistério para nós. Adão e Eva são nossos primeiros pais e deles procedem todos os homens.

*Qual foi o dom mais precioso que Deus concedeu a nossos primeiros pais?
         O dom mais precioso que Deus concedeu a nossos primeiros pais foi a graça santificante, que os fez misteriosamente participantes da natureza divina, filhos de Deus e herdeiros do céu.
         Pela natureza humana, somos peregrinos desta terra e, pela graça, somos peregrinos da pátria celestial.


9ª. LIÇÃO

Um capítulo triste na história dos nossos primeiros pais

*Onde colocou Deus nossos primeiros pais após a criação?
         Deus colocou nossos primeiros pais em um lugar de paz e felicidade, chamado Paraíso Terrestre, ou Éden. (Gn 2, 15).

*Ficaram Adão e Eva sempre no Paraíso?
         Não. Nossos primeiros pais infelizmente pecaram gravemente desobedecendo às ordens divinas. Assim, foram laçados fora do Paraíso, perderam a graça divina e o direito do céu, ficando sujeitos à dor e à morte.

*O pecado de nossos primeiros pais causou esses males somente a eles?
         Não. O pecado de nossos primeiros pais prejudicou também a todos seus descendentes:
1º) Privando-os do direito de herdar – com a filiação humana – a graça santificante e o direito ao céu.
2º) Tornando-os sujeitos à dor, à ignorância e à morte. (Rom 5, 12): “Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todos os homens porque todos pecaram...”

10ª. LIÇÃO

Brilha a luz da misericórdia divina

*Depois do pecado e da expulsão do Paraíso, teria Deus abandonado o homem?
         Não. Nessa história triste brilha a luz da infinita misericórdia de Deus.

*Como manifestou Deus essa misericórdia?
         Deus manifestou sua misericórdia e seu amor divino prometendo aos homens um Salvador. “Deus mesmo virá e vos salvará!” Isaías 35, 4.
*Quem é o Salvador prometido?
         O Salvador prometido aos homens é nosso Senhor Jesus Cristo que salvaria os homens do pecado. (Mt 1, 21): “ Por-lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele há de salvar seu povo do seu pecado”.

11ª. LIÇÃO

O grande mistério da Encarnação

*Quem é Jesus Cristo?
         Jesus Cristo é o Filho de Deus, o Verbo Eterno, feito homem por amor dos homens.
         “E o Verbo se faz homem e habitou entre nós”. (Jo 1, 1 e 17)

I.                  Jesus Cristo é verdadeiro Deus

1.     É Jesus Cristo verdadeiro Deus?
Sim, Jesus Cristo é verdadeiro Deus.

2.     Quem nos ensina essa verdade?
A Igreja nos ensina essa verdade desde o começo de seus 2.000 anos de existência.

3.     Em que testemunhos se funda essa verdade divina?
Essa verdade divina funda-se:
1.     Nas muitas profecias do A.T.
2.     No testemunho do Pai Celestial: Mt 3, 17: “Este é meu Filho muito amado”.
3.     Nas muitas e evidentes declarações de Jesus, confirmadas com muitos e extraordinários milagres.
4.     No testemunho dos apóstolos que, para confirmarem essa verdade, sacrificam sua vida.
5.     Na longa história da Igreja católica.
6.     No testemunho de milhões de mártires.
7.     No luminoso testemunho de grandes sábios e santos.

II.               Jesus Cristo é verdadeiro homem

  1. É Jesus Cristo verdadeiro homem?
     Sim, Jesus Cristo é verdadeiro homem.
 
2. Como se chama esse mistério: “O Filho de Deus se fez homem”?
     Esse grande e profundo mistério se chama o mistério da Encarnação.

3. O que nos ensina esse mistério?
     Esse mistério nos ensina que o Filho de Deus tomou um corpo e uma alma semelhante aos nossos, participou da nossa vida. “O Verbo – Filho de Deus – se fez homem e habitou entre nós” (Jo 1, 14).

4.     Quantas naturezas há em Jesus Cristo?
Em Jesus Cristo há duas naturezas: a natureza divina e a natureza humana.


12ª LIÇÃO

Maria Santíssima

1. Quem é a Mãe de Jesus Cristo?
         A Mãe de Jesus Cristo, Deus feito homem, é a Santíssima Virgem Maria. O anjo do Senhor anunciou a Maria e ela se tornou Mãe de Jesus. (Cfr. Lc 1, 31).

2. Como se realizou o grande mistério da Maternidade virginal de Maria?
         Esse mistério se realizou por um milagre sublime do Amor divino. ‘’Eis que uma Virgem conceberá e dará a luz um filho’’. (Cfr. Is 7, 14; Lc 1, 30-35).

3. Que graças e privilégios especiais recebeu Maria Santíssima?
         Maria Santíssima, escolhida para ser Mãe de Jesus, foi preservada do pecado original e recebeu uma maravilhosa plenitude de graças divinas. Lc 1, 28: ‘’Ave, cheia de graça!’’

4. Quais são os principais dogmas que exaltam os dons da Santíssima Virgem Maria?
         São os seguintes:
- A maternidade divina, como vimos.
- A perpétua Virgindade de Maria;
- A Imaculada Conceição;
- A sua gloriosa Assunção ao céu em corpo e alma.

5. Devemos tributar um culto especial a nossa Senhora?
         Sim, devemos tributar um culto todo especial a nossa Senhora porque Ela é a grande Mãe de Deus feito homem. Além disso, devemos amar muito a nossa Senhora porque Ela é nossa Mãe Espiritual, nos quer bem e nos quer salvar.

6. Por que nossa Senhora é nossa Mãe Espiritual?
         Nossa Senhora é nossa Mãe: 1º) Porque somos irmãos de Jesus, pela graça; 2º) Porque Ela nos orienta o que devemos fazer, seguindo seu exemplo e ordens: ‘’Fazei tudo o que Ele vos disser’’ João 2, 5; 3º) Porque Jesus, na hora divina da Redenção, nos deu sua Mãe para ser nossa Mãe; 4º) Por uma solene aclamação dos séculos. João 19, 26: ‘’Eis aí a tua Mãe’’.

7. Por que nossa Senhora é chamada de Mãe da Igreja?
         Maria Santíssima é chamada Mãe da Igreja:
1º) Porque Ela é a Mãe de Cristo, Cabeça do Corpo Místico do qual os homens, por meio do Batismo, são membros, i.é, a Igreja.
2º) Porque Maria participou dos mistérios da Encarnação e Redenção dos homens.
3º) Porque é medianeira especial das graças divinas.


13ª. LIÇÃO

São José

*Quem é São José?
         São José é o esposo virginal de Maria Santíssima, o pai adotivo de Jesus e o privilegiado protetor da Sagrada Família.

*Devemos honrar muito a São José?
         Sim, São José merece um culto especial por várias razões:
1º) Porque Cristo mesmo o honrou como pai adotivo;
2º) Por sua eminente santidade;
3º) Por ser o virginal esposo da Virgem Maria;
4º) Por ser protetor especial da Igreja Universal.


14ª. LIÇÃO

I.                  VIDA OCULTA DE JESUS
*Onde nasceu Jesus?
         Jesus nasceu um Belém, cidade da Judéia, conforme tinha sido profetizado por Miquéias.
         (Mt 2, 5 e 6): “E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o Chefe que governará Israel, meu povo”.

*Que circunstâncias misteriosas e extraordinárias acompanharam o nascimento de Jesus?
         Os santos evangelhos salientam os fatos seguintes:
1.     Jesus, Deus feito homem, nasceu em uma pobre gruta e foi deitado em um presépio, em uma pobre manjedoura. (Cfr. Lc 2, 6-7)
2.     Anjos apareceram e anunciaram aos pastores o nascimento do Messias. (Cfr. Lc 2, 8-24)
3.     Uma estrela misteriosa apareceu aos Reis Magos e os guiou até Belém. (Cfr. Mt 2, 1-12)
4.     A matança dolorosa dos inocentes profetizada por Jeremias. (Cfr. Mt 2, 16-18)

*Além dos misteriosos fatos citados, quais são outros mais importantes da vida oculta de Jesus?
1. A circuncisão (Lc 2, 21).
2. A apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém (Lc 22, 22-24).
3. A profecia do velho Simeão. Ele recebeu a revelação que não morreria sem ter visto o Messias (Lc 2, 25 sg.).
4. A fuga da Sagrada Família para o Egito (Mt 2, 13 sg.).
5. A comovente passagem: Jesus no Templo aos doze anos (Lc 21, 41 e sg.).

*Qual é o mistério mais comovente da vida de Jesus até aos trinta anos?
         O mistério mais comovente é Jesus ter levado, até essa idade, vida oculta, humilde e dedicada à oração, à vida familiar e ao singelo trabalho de carpinteiro, e seu exemplo de obediência.
         O Evangelho resume esse período com as breves palavras: “Ele – Jesus – lhes era submisso”, i.é, perfeitamente obediente (Lc 2, 50).


15ª. LIÇÃO

II.               VIDA PÚBLICA DE JESUS

*O que fez Jesus depois dos 30 anos?
         Tendo 30 anos, Jesus quis ser batizado por São João Batista; retirou-se ao deserto para lá rezar e jejuar durante 40 dias; andou pobre na Palestina, pregou a justiça, a paz, o amor, durante três anos, e escolheu os doze apóstolos.

*O que Jesus ensinou aos homens?
         Jesus ensinou, com autoridade e sabedoria divina, todas as verdades que devemos crer e praticar para nos salvar.

*Onde encontramos a doutrina que Jesus ensinou?
         Nos santos Evangelhos.

*Quais são as duas verdades fundamentais que Jesus nos ensinou?
         Essas duas verdades são:
1.     Que Ele é o Filho de Deus;
2.     E que Ele é o Salvador do Mundo, o Messias prometido.

*Como Jesus provou que Ele era o Filho de Deus e o Messias?
         Jesus provou que era o Filho de Deus e o Salvador prometido:
1º.) por seus numerosos milagres;
2º) por sua vida santíssima;
3º) por sua doutrina divina;
4º) por sua morte e gloriosa ressurreição.

*Quais são as outras verdades principais que Jesus ensinou?
         Jesus nos revelou e ensinou lindos mistérios e doutrinas divinas: Jesus nos falou sobre Deus Uno e Trino; sobre a vida divina em nós pela graça; sobre a caridade, sobre a oração e sobre a eternidade.

*Quais são os grandes tesouros divinos que Jesus nos deu?
         Entre outros, Jesus nos deu três grandes tesouros divinos:
1.     A Igreja
2.     Os Sacramentos
3.     O Santo Sacrifício da Missa, a comunhão e o misterioso dom de sua presença sacramental.


16ª. LIÇÃO

III.           PAIXÃO E MORTE DE JESUS

*Por que motivos quis Jesus sofrer a paixão e morrer na cruz?
         Jesus quis padecer e morrer:
1.     para nos reconciliar com Deus;
2.     para merecer-nos as graças divinas;
3.     para livrar-nos da morte eterna e abrir-nos as portas do céu.

*Morreu Jesus por todos os homens?
Sim. Jesus morreu por todos os homens de todos os tempos. Ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo (1 João 2,2).

*Quais foram os principais sofrimentos de Jesus?
1. Jesus sofreu a longa Agonia no Jardim das Oliveiras;
2. Sofreu a dor imensa da traição de Judas Iscariotes, o apóstolo infiel;
3. Sofreu a flagelação, coroação de espinhos, insultos e injúrias horríveis;
4. Sofreu a crucificação, as três longas horas na cruz e finalmente a morte dolorosíssima.

*Por que nos deve comover profundamente a paixão e morte de Jesus?
         Porque Jesus quis sofrer tanto e morrer por amor de nós.
         S. João diz: Jesus Cristo nos amou e os lavou dos nossos pecados no seu sangue” (Apoc 1, 5).

17ª. LIÇÃO

IV.           A RESSURREIÇÃO DE JESUS

*Depois da morte de Jesus, o que fizeram de seu corpo santíssimo?
         Depois da morte de Jesus, discípulos fiéis o desceram da cruz e o colocaram em um sepulcro.

*Para onde foi a alma de Jesus?
         A alma de Jesus desceu à mansão dos mortos, onde estavam as almas dos justos esperando a graça da Redenção e a entrada no céu. A mansão dos mortos chama-se também limbo.

*Quanto tempo ficou Jesus no sepulcro?
         Ao terceiro dia Jesus ressuscitou gloriosamente, como tinha anunciado aos apóstolos: MT 27,62; 28, 1-10 ; Jo 20,27 ; Mc 16,9-15. A festa da Páscoa, que celebra solenemente a Ressurreição de Jesus, é a maior festa litúrgica do ano.

*Que nos ensina a festa da Páscoa, celebrada pela Igreja, há quase dois mil anos?
Esta festa nos deve fortalecer na fé na divindade de Jesus e no caráter divino e na invencibilidade da Igreja, que – como o Cristo – terá sempre novas sextas-feiras santas e novas ressurreições. Ressuscitado, Jesus nos fortifica sempre e está conosco para nos libertar do pecado e nos ajudar a viver uma vida nova.


18. LIÇÃO

V.              A ASCENÇÃO DE JESUS AOS CÉUS

*Que fez Jesus, logo depois da sua gloriosa Ressurreição?
         Jesus Cristo, em uma especial manifestação de amor para com os seus apóstolos e amigos, demorou-se ainda 40 dias na terra.

*O que fez pelos apóstolos e por nós, durante esses quarenta dias?
         Durante esses quarenta dias, Jesus:
1. mostrou que estava vivo e confirmou de forma evidente a verdade de sua Ressurreição;
2. deu novas instruções sobre sua doutrina;
3. e, como diz a Escritura: ‘’falou-lhes sobre o reino de Deus’’, o que quer dizer: deu-lhes instruções sobre a organização da Igreja, que é o reino de Deus neste mundo (At 1, 1-11).

*O que fez Jesus após os quarenta dias?
         Após os quarenta dias, Jesus subiu aos céus.

*Quais foram as últimas palavras de Jesus aos apóstolos, no momento da Ascensão?
         Jesus ordenou-lhes:
1. que se preparassem para a vinda do Espírito Santo;
2. que fizessem dos homens todos seus discípulos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

*Voltará Jesus outra vez ao mundo?
         Sim. Ensina-nos a doutrina da Igreja que Jesus virá outra vez à terra no fim do mundo, para julgar os vivos e os mortos, todos os homens, bons e maus (At 1, 11).


sábado, 5 de novembro de 2011

Encontro do Cardeal Piacenza com os Seminaristas Estadunidenses na Arquidiocese de Los Angeles

Venerado irmão no episcopado, Queridos formadores, Queridíssimos seminaristas:
É para mim motivo de profunda alegria poder encontrar-lhes nesta breve permanência em terras norte-americanas.
O futuro da Igreja, que é certo, já que está nas mãos de sua Cabeça e Senhor, que é Cristo, pulsa nas suas existências. Os seminaristas de hoje, Sacerdotes de amanhã, são a esperança viva do caminho que a Igreja sempre realiza no mundo. Obrigado de coração, em nome da Igreja, pelo seu sim tão generoso!
Saibam desde já que o Prefeito da Congregação para o Clero reza por vocês, para que o seu sim ao Senhor seja total e incondicional.
Este é o segredo da felicidade, o segredo da plena realização da vida Sacerdotal: doar tudo, sem conservar nada para si mesmo, seguindo o exemplo de Jesus!
Não pretendo neste encontro propor-lhes uma conferência, mas, simplesmente, um colóquio informal, concedendo espaço para suas eventuais perguntas espontâneas. Às suas perguntas anteponho umas breves reflexões sobre o que julgo fundamental hoje, e sempre, na formação sacerdotal.
1. O primado de Deus
É algo adquirido pela experiência eclesial. As vocações nascem, florescem, se desenvolvem e chegam à maturidade só onde se reconhece claramente o primado de Deus. Qualquer outra motivação, que também pode acompanhar o início da percepção de uma chamada ao sacerdócio, conflui no movimento de total doação ao Senhor e no reconhecimento do seu primado na nossa vida, na vida da Igreja e na do mundo.
Primado de Deus significa primado da oração, da intimidade divina; primado da vida espiritual e sacramental. A Igreja não tem necessidade de gestores, senão de homens de Deus! Não tem necessidade de sociólogos, psicólogos, antropólogos, ou especialistas em política – e todas as demais atuações que conhecemos e podemos imaginar -.
A Igreja tem necessidade de homens crentes e, portanto, credíveis, de homens que, uma vez acolhendo o chamado do Senhor, sejam suas motivadas testemunhas no mundo!
Primado de Deus significa primado da vida sacramental, vivida hoje e oferecida, a seu tempo, a todos os nossos irmãos! Os homens podem encontrar muitas coisas nos outros; no sacerdote, porém, buscam aquilo que só ele pode dar: a Divina Misericórdia, o Pão da vida eterna, um novo horizonte de significado que faça mais humana a vida presente e possível a vida eterna!
Vivei, queridíssimos seminaristas, este tempo do seminário – que é passageiro – como a grande ocasião que vos é dada para realizar uma extraordinária experiência de intimidade com Deus.
A relação que vocês tecem com Ele nestes anos, certamente se aprofundará e mudará durante a vida, mas os fundamentos, o miolo daquela relação, se constitui agora! O tempo do seminário é, neste sentido, irrepetível! Apesar de qualquer boa experiência que possa acontecer em nossa vida, antes e depois deste tempo, a sabedoria da Igreja indica o tempo de formação em comunidade como necessário para os seus sacerdotes.
A Igreja tem necessidade de homens fortes! De homens firmes na fé, capazes de conduzir os irmãos a uma autêntica experiência de Deus.
A Igreja tem necessidade de sacerdotes que, nas tempestades da cultura dominante, quando “a barca de não poucos irmãos é combatida pelas ondas do relativismo” (cfr. J. Ratzinger, Homilia na Missa Eligendo Romano Pontifice), saibam numa efetiva comunhão com Pedro, manter firme o timão da própria existência, das comunidades que lhes foram confiadas e de todos os irmãos que pedem luz e ajuda para seu caminho de fé.
2. As prioridades da formação
Além do primado indiscutível de Deus, é necessário que a formação humana ocupe o lugar fundamental que lhe corresponde. Ninguém pode esperar uma humanidade perfeita para só depois abraçar às ordens sagradas, mas é indispensável, com toda honestidade, colocar-se em jogo, confiando a Deus, através do diretor espiritual, tudo sobre si mesmo. Não cedam à ilusão de que as questões não resolvidas (ou não afrontadas devidamente) poderão resolver-se improvisadamente depois da ordenação. Não é assim! E a experiência tem demonstrado!
A formação humana tem certamente necessidade de um justo grau de autoconhecimento, e neste sentido as chamadas ciências humanas podem oferecer uma válida ajuda, mas, sobretudo, tem a necessidade de “estar em contato” com a Santa Humanidade de Cristo!
Estando com Ele nós somos plasmados progressivamente! Ele é, de verdade, formador! Neste sentido, a adoração eucarística prolongada desempenha também um papel fundamental e, sobretudo na formação humana! Deixar-se “bronzear” pelo Sol eucarístico, significa, no tempo, passar a lima nas próprias arestas, aprender do Humilde por excelência, estar na escola da Caridade feita carne.
Juntamente com a formação humana, é central a intelectual. Não cabe dúvida de que esta tem ocupado, nas últimas décadas, uma importante parte de toda formação seminarística. Agora, muito provavelmente, neste âmbito é necessário valorar atentamente as proporções e os equilíbrios. Ainda que se deseje para todos uma boa formação, nem todos os sacerdotes deverão ser teólogos.
A formação intelectual deve tender a transmitir os conteúdos certos da fé, argumentando razoavelmente seus fundamentos tanto na Sagrada Escritura, como grande Tradição eclesial e no Magistério, e fazer-se acompanhar pelos exemplos de vida de sacerdotes santos. Vocês não devem desorientar-se nos meandros das diversas opiniões teológicas que não dão certeza e põem a Verdade revelada ao nível de qualquer outro “pensamento humano”. Um seminarista se forma nas certezas e tratando de ter na própria bagagem uma visão de síntese com o entusiasmo da missão.
Estou pessoalmente convencido de que uma boa e sólida formação teológica, que descubra também o sentido filosófico da metafísica, e não tema acolher toda a Verdade completa, é o melhor antídoto a tantas “crises de identidade” que alguns vivem, por desgraça. Neste sentido, o Santo Padre, Bento XVI, tem recordado várias vezes a imprescindível utilização do Catecismo da Igreja Católica como horizonte ao qual mirar e como referência certa do nosso atual pensamento teológico.
O catecismo é também o grande instrumento que o Beato João Paulo II doou a toda a Igreja, para a correta hermenêutica do Concilio Vaticano II. Também sob este aspecto é necessário que a formação intelectual não viva equívocos de nenhum gênero.

Sermão

Sermão do Reverendíssimo Padre Anderson Batista da Silva por ocasião da Peregrinação de Cristo Rei.

Temos a satisfação de publicar a transcrição do sermão proferido pelo Reverendíssimo Padre Anderson Batista da Silva, da Arquidiocese de Niterói, por ocasião da Peregrinação de Cristo Rei, no último dia 30 de outubro.

Meus irmãos e irmãs, neste domingo, 30 de outubro, aos pés do Cristo Redentor, no alto desta colina, aqui estamos participando deste momento mais sagrado que há na face da Terra, a celebração da Santa Missa, a renovação incruenta do Sacrifício do Calvário pelo qual o Senhor nos resgatou. O que estamos a fazer aqui? Estamos aqui para adorar a Deus e proclamar ao mundo nossa Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo,  nossa Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo Rei e Redentor. Nossa Fé no Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é Rei e deve reinar.
No Santo Evangelho, Pilatos pergunta a Nosso Senhor: Tu és Rei? Esta é a pergunta que muitos ainda fazem e nós devemos agora anunciar publicamente: nós acreditamos no reinado de Cristo. Como é óbvio, acreditamos que este reinado não pertence só às almas individualmente tomadas, mas a todo o conjunto das almas e à sociedade inteira.
A Nosso Senhor vimos também aqui pedir a paz. Se queremos a paz no mundo, devemos recorrer ao Príncipe da Paz. É a ele que deve ser pedida a paz, em seu nome está a paz, no sangue derramado na Cruz está a paz: a verdadeira e única paz. Para que os povos do mundo encontrem a paz, necessitam encontrar Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, também proclamamos que para que o mundo veja a paz, o mundo necessita converter-se a Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é rei, e como rei tem direito de reinar nas almas individualmente tomadas. O seu reino, obviamente, é um reino espiritual. Não é um reino deste mundo, mas não significa que não deva reinar neste mundo. É um reino espiritual porque sua origem não vem desta terra. Seu poder e o direito de reinar vêm do Padre Eterno. Ele deve reinar nas almas, quando as almas convertidas (…) a Ele encontram-se com a Verdadeira doutrina – A Verdadeira Doutrina – e são batizadas. Quando as almas recebem a graça do Santo Batismo, passam a pertencer ao reino da paz, passam a pertencer ao Rei de Paz.
Diariamente o Senhor e Rei da Paz é imolado incruentamente nos altares do mundo. Por isso, amamos também a Santa Missa. Para estender o reinado da paz, o reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo, a missa – esta Missa que está sendo celebrada – deve estender-se cada vez mais aos altares do mundo inteiro, aos antigos altares de tantas e belas igrejas que se tornaram porta-flores e guarda-pó. Estes altares, para que o mundo tenha paz, devem ser ressuscitados e restaurados. Ali o Senhor deve novamente ser imolado. E em todas as outras igrejas no mundo esta missa deve ser estendida. Aos pés do Cristo Redentor, imploramos do Senhor que esta missa – A Missa, A Missa… – se estenda cada vez mais nos altares do Brasil e do mundo. Que os sacerdotes queiram celebrá-la. Que os fiéis a amem, implorando, se for necessário, que os sacerdotes a celebrem.
Nosso Senhor quer reinar na alma, nas almas, e reina quando uma alma pecadora ajoelhada implora o perdão ao sacerdote, e ali, pela voz e pelas mãos do sacerdote, que diz + Ego te absolvo, volta a reinar a paz na alma. Não pode haver paz longe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Não pode haver paz no pecado. Por isso, o anúncio da paz, e a petição da paz, deve ser o anúncio da conversão. “Convertei-vos e crede no Evangelho”.
Nosso Senhor quer reinar nas almas, mas não tomadas somente individualmente. Ele quer reinar nas famílias. As famílias necessitam de Nosso Senhor… as famílias necessitam de Nosso Senhor para educar seus filhos na Fé; para manterem-se fiéis os esposos; para não cederem facilmente à tentação do adultério e do divórcio, esta praga que destruindo os lares, também vai destruindo (…) muitos dos nossos adolescentes e jovens.
Mas Nosso Senhor, como é rei, deve reinar também nos estados, na sociedade inteira. O Papa Pio XI, quando proclamou a festa de Cristo Rei com a sua encíclica Quas Primas… Ah, encíclica Quas Primas… como deveria ser ela novamente lida, meditada, retomada, ensinada e acreditada nos dias de hoje. Nosso Senhor deve reinar também na sociedade. As leis das nações devem obedecer a Nosso Senhor Jesus Cristo.
Outrora, 80 anos atrás, católicos fiéis, acreditando no reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo também na sociedade, ergueram este magnífico monumento, que é uma proclamação de Fé para o mundo inteiro de que Jesus Cristo é rei e deve reinar. Hoje, querem tirar os crucifixos dos ambientes públicos… hoje, querem arrancar qualquer vestígio da presença e do reinado de Nosso Senhor na sociedade.
Os parlamentos das nações, como diz o Salmo 2º, orquestram coisas contra Deus e o Seu Cristo. As leis que destroem as famílias, as leis que destroem a juventude, embebida de um liberalismo, de uma naturalismo tal que infectou as fileiras católicas. O liberalismo, que coloca a liberdade individual acima da verdade; o naturalismo que esquece a graça de Deus e a luta que o inferno trava contra o céu para arrancar as almas, e os discursos, mesmo daqueles que deveriam guiar as almas, é sempre, ou quase sempre, um discurso liberal e naturalista. Não se fala do pecado, não se fala da graça, não se fala do reinado de Cristo nas almas; se fala de pluralismo, de sociedade plural, de liberdade… de liberdade religiosa. Nós aqui professamos a Fé em Cristo Rei, que deve reinar na sociedade. É possível e é real.
Enquanto muitos trabalham contra a descristianização da sociedade, cada um dos que estamos aqui, professando a Fé em Deus e em Nosso Senhor Jesus Cristo, devemos trabalhar pela re-cristianização da sociedade, como dizia o Papa São Pio X – o grande São Pio X – em sua encíclica Notre Charge Apostolique, quando condenando o movimento Sillon, que havia sido primeiramente aprovado pela Igreja e havia feito inicialmente um bem aparente pela Igreja, demonstrou que ia por caminhos opostos ao reinado social. Queria uma paz quimérica na sociedade, uma paz no mundo onde fosse possível, acreditava e acreditam muitos hoje, conviver a cidade de Deus e a cidade dos homens, como se existisse uma cidade neutral. Não há possibilidade de neutralidade: ou a cidade, entenda-se a sociedade, a civilização, é cristã, ou a sociedade pertence a Deus, ou pertencerá ao demônio. Ele reinará na sociedade, como já está fazendo nas almas.
São Pio X dizia que não há de se buscar uma nova civilização, uma nova cultura do pluralismo, não. A cidade que Deus quis já existiu e existe: é a civilização cristã, é a cidade Católica. A nossa missão é reconstruí-la das ruínas que se encontra nos dias de hoje. Reconstruí-la, reedificá-la com Deus, em Deus e para Deus.  A sociedade deve voltar a Deus.
Mas muitos, também na Igreja, nos últimos cinqüenta anos especialmente, acreditam ser possível construir uma cidade, dizem, vitalmente cristã, sem que seja oficialmente cristã. Dizem que não é mais necessário que a sociedade seja confessional, que publicamente a civilização dê culto a Deus; basta que as almas sejam cristãs e a sociedade será cristã. É bonito, mas utópico. Como podemos esperar que uma sociedade seja vitalmente cristã se nossas crianças, adolescentes e jovens, já são metidos numa sociedade brutalmente anti-cristã na escola, em casa, com os programas de televisão, etc, etc…?
Como é possível acreditar numa sociedade vitalmente cristã, onde os símbolos religiosos serão arrancados da sociedade? Já sabiam disso os revolucionários franceses quando criaram a escola pública, a escola laica. Diziam eles: criemos uma escola onde as crianças entrem aqui e passem o dia inteiro, o tempo todo, aprendendo tudo o que é importante para a vida: a língua, matemática, ciências, geografia, história, cultura… mas que nunca se fale de Deus e que eles nunca vejam símbolos religiosos. E não necessitaremos mais fazer discursos ateus, anti e contra de Deus, porque eles verão que tudo é importante, menos Deus.
Esta é a sociedade em que estamos vivendo. Por isso, nós devemos levantar bem alto a Cruz de Nosso Senhor para plantá-la como os primeiros evangelizadores nesta terra aqui fizeram. Como os católicos que ergueram este magnífico monumento, que não será destruído por graça de Deus, para manifestar ao Brasil e ao mundo que o Brasil pertence a Deus e que nós somos de Deus.
Lutam, se digladiam duas posturas: o laicismo visceral e maçônico, que quer arrancar Deus completamente da sociedade, e a resposta que pretende-se dar ao laicismo é a chamada laicidade. Eles só reclamam da violência contra a religião, mas acreditam que pode haver na sociedade um pluralismo tal que não seja anti-religioso e que convivamos todos muito bem e todos juntos… algo utópico que não conseguiu nem nos países mais católicos, vide Itália, Espanha e Portugal, proibir o aborto, por exemplo.
Nós aqui manifestamos nossa Fé em Cristo Rei e por isso afirmamos: nem laicismo, nem laicidade. Acreditamos no reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo nas almas e na sociedade. A sociedade também deve prostrar-se diante de Cristo Rei. O Brasil como um todo deve reconhecer que Cristo é Rei do Brasil. O Brasil foi batizado católico, seu nome para o céu será sempre a Terra de Santa Cruz. Nesta Terra de Santa Cruz manifestamos com ardor nosso amor a Nosso Senhor Jesus Cristo e a Nossa Senhora Rainha do Brasil. Ela também quis ser a padroeira, protetora e soberana desta nação, quando quis ser encontrada naquela primeira imagem no fundo do Rio Paraíba. Que Ela reine em nossas almas também, nas nossas famílias e na nossa nação. Que a partir de hoje o grito de “Viva Cristo Rei”, que fez muitos mártires, volte a estar nos lábios dos católicos brasileiros. Que nós lutemos, rezemos e trabalhemos pelo reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo nas almas e na sociedade por inteiro, cada um na vocação a que foi chamado, lutando, sem descansar, para que Cristo reine. Mesmo que víssemos diante de nós o Anti-Cristo surgir com seu reino diante do mundo inteiro, nós não dobraríamos nosso joelho diante dele e proclamaríamos até o fim que Cristo é rei e deve reinar, ainda que sucumbam pastores, ainda que sucumbam aqueles que devem governar e ensinar ao povo o caminho correto, nós todos não sucumbiremos se formos fiéis e implorarmos a Deus esta graça.
Que esta peregrinação não seja a única, mas a primeira de muitas, para proclamar ao Brasil e ao mundo que Nosso Senhor é Rei. Que do alto desta colina do Corcovado o Brasil inteiro volte a redescobrir sua missão. O Brasil nasceu católico, é católico e só fielmente será aquilo que Deus quer que ele seja para o mundo inteiro se permanecer fiel à sua vocação batismal e ser de Deus e para Deus.
Que a Virgem Santíssima, Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, proteja cada um de nós contra os ataques infernais que não querem que Nosso Senhor reine e que querem confundir as almas com tantas doutrinas novas e sedutoras como o canto da sereia. Mas nós queremos ficar com a doutrina tradicional de Cristo Rei, com a Missa Tradicional, o Sacrifício do Senhor. Amém.


LIÇÕES DO CATECISMO - 2

Salve Maria!

Irmãos, damos continuidade ao catecismo. Na leitura dele, percebe-se que se trata de um catecismo pós conciliar, jamais que ele possua por isso um valor menor, já que deve ser lido em continuidade com a doutrina de sempre da Igreja de Deus. Digo isso pois percebemos, mesmo com uma linguagem tradicional, certos tons 'sentimentais' vez ou outra. Será fácil identificar isso por leitores assíduos e  conhecedores de história. Como não vivi nessa época (a pós-conciliar) não sei bem como foi acontecendo as mudanças, mas na certa a literatura religiosa foi muito afetada. O que podemos constatar é que era um excelente catecismo para preparação da 1ª Comunhão, muito diferente do caos em que a Catequese inicial se encontra atualmente.
Boa leitura!

I.               PARTE

Nossa Fé – Os Grandes Mistérios

2ª. LIÇÃO

        O Mistério mais Luminoso: DEUS

*Quem é Deus?
         Deus é o Ser Eterno.
         Deus é o Criador do céu e da terra.
         “No princípio criou Deus o céu e a terra” Gn 1, 1. Deus é também nosso Pai celestial: “Pai nosso, que estais no céu”

*Como conhecemos a Deus?
         1. A luz da inteligência nos faz conhecer a Deus pela contemplação do mundo visível.
         2. A voz da consciência nos fala sempre do Deus bom e justo.
         3. Conhecemos a Deus, com mais perfeição, pela luz da revelação da fé.

*Por que chamamos a esse mistério “o mistério mais luminoso”?
         Chamamos a esse mistério “o mistério mais luminoso” porque o “mistério de Deus” brilha fulgurante no sol e nos astros; brilha nos sorriso das flores coloridas; brilha nas asas multicores dos pássaros; brilha no sabor das frutas; brilha vivo e eloquente no olhar das crianças; brilha nos lampejos da inteligência humana...
         “Quem não reconhecer a Deus, anda nas trevas” (Jo 1, 1 e sgs.)



3ª. LIÇÃO

Perfeições divinas

*Que quer dizer Deus é infinitamente perfeito?
         Deus é infinitamente perfeito porque possui todas as perfeições em grau infinito.
*Quais são as principais perfeições de Deus?
         Deus é eterno, todo-poderoso, imenso, infinitamente sábio, santo, justo e misericordioso.
         Estudemos brevemente as perfeições divinas:
- Deus é eterno, não teve princípio nem jamais terá fim. 1 Tm 1, 17: “Ao rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus seja dada honra e glória por todo sempre”.
- Deus é todo-poderoso, pode fazer tudo o que Ele quiser. Sl 134, 6: “O Senhor Deus realiza tudo quanto quer no céu e na terra...”.
- Deus é imenso, está presente no céu, na terra, em todo lugar. O salmista fala dessa perfeição divina de uma forma muito poética no Salmo 138.
- Deus é infinitamente sábio. A ciência divina é infinita. As leis maravilhosas que regem o universo dão uma ideia da infinita ciência de Deus.
- Deus é infinitamente santo, sempre quer e ama o bem e as virtudes e odeia o mal. Apoc 4, 8: “Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus onipotente”.
- Deus é infinitamente justo, sempre premia o bem, as virtudes, e castiga o mal. Rm 2, 6: “Deus retribuirá a cada um segundo suas obras”. Na eternidade veremos com toda a clareza essa infinita justiça divina.
- Deus é infinitamente misericordioso, sempre chama o pecador á penitência, sempre oferece o perdão e sempre tem um misterioso e divino prazer em perdoar ao pecador arrependido. “Pai, perdoai-lhes, não sabem o que fazem”
         As parábolas do Bom Pastor e do Filho pródigo são um comovente hino à infinita e paternal misericórdia de Deus!


4ª. LIÇÃO

O mistério mais profundo

*Qual é o mais profundo dos mistérios?
         O mistério mais profundo é o mistério que nos fala da vida e da essência divina.

*Em que consiste esse mistério?
         Esse mistério nos revela a verdade impenetrável de um só Deus em três pessoas divinas. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Três pessoas divinas e uma só natureza divina participada igualmente pelas três pessoas.

*Como se chama esse mistério?
Esse mistério chama-se Mistério da Santíssima Trindade.

*Como conhecemos esse mistério?
         Conhecemos esse mistério pela revelação divina, principalmente pela revelação de Jesus, que nos falou várias vezes desse mistério. Principalmente Jesus nos falou de forma solene na hora da Ascensão, dizendo: “Ide e ensinai todos os povos e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Mt 28, 19.

*Como celebra a liturgia essa devoção – devoção essencial – em suas orações e ritos sagrados?
         A liturgia dá importância primordial a essa devoção:
1. Com a administração dos sacramentos, por exemplo, no batismo.
2. As orações litúrgicas terminam quase sempre com uma invocação trinitária.
3. Começa seus ofícios litúrgicos, encerra os salmos com a invocação trinitária e encerra seus hinos com a solene doxologia, i.é., com o “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo...” e com versos trinitários.


5ª. LIÇÃO

As maravilhosas criaturas celestiais – Os Anjos

I.                  Quais são as mais perfeitas criaturas que Deus criou?
As mais perfeitas criaturas que Deus criou, e cuja existência conhecemos pela revelação, são os anjos.

*Que são os anjos?
         Os anjos são seres espirituais, dotados de maravilhosa inteligência e de vontade livre.
         Sendo seres espirituais não têm corpo material como os homens.
“Um milhão de ministros o serviam...” Dan 7, 10.
Em Ef 1, 21 e Col 1, 16 são Paulo fala das diversas ordens de Anjos.

*Ficaram todos os Anjos fiéis a Deus, o seu Criador e Senhor?
         Não. Sabemos pela revelação que muitos anjos se rebelaram contra Deus e, assim foram condenados ao inferno.
         A Escritura nos fala com toda clareza dessa misteriosa tragédia.
“Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas os precipitou no abismo do inferno”. 2 Pdr 2, 4.
*Podem os anjos maus, ou demônios, tentar os homens e levá-los ao mal?
         Sim, por uma misteriosa permissão divina, os demônios podem tentar os homens e induzi-los ao mal e ao pecado.
“Sede sábios e vigiai; porque o demônio, vosso adversário, anda ao redor de vós como um leão que ruge, buscando a quem possa devorar; resisti-lhe fortes na fé”. 1 Pdr 5, 8...
         Jesus chama o demônio “homicida desde o princípio”. “Mentiroso e pai da mentira”. Jo 8, 44.

*Que fazem os anjos que permanecem fiéis a Deus, seu Criador?
         Os anjos fiéis – chamados anjos bons:
1. Adoram e louvam eternamente a Deus, seu Criador. Apc 4, 8: “Não cessavam os anjos, dia e noite, de proclamar: Santo é o Senhor onipotente!”
2. Gozam para sempre a glória e felicidade do céu.
3. São os divinos mensageiros das disposições divinas.
4. E, por uma bondosa e paternal providência divina, amam e protegem os homens. Salmo 90, 11: “Deu ordem a seus anjos a cerca de ti, que te guardem em todos os teus caminhos”.
         Leiamos o lindo livro de Tobias.


II.              Que nos ensina a revelação sobre os Anjos da Guarda?
Os Anjos da Guarda são os anjos que Deus, bondoso Pai, deu aos homens para protegê-los na terra e guiá-los com amor e fidelidade no caminho do céu.
         Jesus mesmo nos disse essa linda e importante palavra: “Vede! Não desprezeis nenhum desses pequeninos! Porque, eu vos digo, os anjos deles, no céu contemplam incessantemente a face de meu Pai!” Mt 18, 10. Recordemos a bela história de Tobias, citada acima, e a impressionante narrativa de São Pedro libertado do cárcere... “ E eles diziam: deve ser o Anjo dele!” At 12, 15.

*Que ensina a Igreja sobre a devoção aos Anjos da Guarda?
         A liturgia, instituindo a bela festa dos Anjos da Guarda, nos exorta e anima a cultivar com carinho e gratidão essa prática de piedosa devoção. A festa litúrgica é no dia 2 de outubro.




6ª. LIÇÃO

O sinal da nossa fé

*Como professamos nossa fé cristã?
         Professamos nossa fé cristã fazendo o sinal da cruz, acompanhando-o com as palavras: “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”.

*Por que o sinal da cruz é o sinal sagrado e característico do cristão?
         Por duas grandes razões:
1. Porque rezando as palavras: “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” professamos nossa fé no Mistério da Santíssima Trindade.
2. Porque traçando o sinal da cruz, nós manifestamos nossa fé na morte redentora de Cristo no Calvário.

*Quando devemos fazer o sinal da cruz?
         Devemos fazer o sinal da cruz com frequência, principalmente: pela manhã e à noite; antes e depois das orações e refeições. Recomenda-se insistentemente fazê-lo nos perigos e nas tentações, porque o sinal da cruz nos alcança as bênçãos celestes e a proteção divina, como vemos na vida dos santos.
         Recordemos, além disso, que a Liturgia prescreve o sinal da cruz em várias ocasiões, como na missa, nas bênçãos e na administração dos sacramentos.


7ª. LIÇÃO

Deus – nós e o universo

*O universo sempre existiu?
         Não. Deus – o Eterno – criou o imenso e maravilhoso universo com todos os seus mistérios e com seus misteriosos milhões e milhões de anos...
         Sim, foi Deus, o Eterno, quem criou o sol e as estrelas, a infinita variedade de seres vivos. Gn1, 1 : “No princípio criou Deus o céu e a terá. Faça-se a luz!... e a luz foi feita...”. Rezemos o belo Salmo 8.

*Que quer dizer criar?
         Criar quer dizer fazer ou tirar, do nada, alguma coisa. Só Deus Onipotente e Eterno pode criar.
Gn 1, 1 sg.: “No princípio Deus criou o céu e a terra...”
         A luz dessa verdade, leiamos o majestoso primeiro capítulo da Bíblia.

*Por que e para que fim criou Deus o universo?
         Eis uma questão que ultrapassa nossa inteligência. Iluminados, porém, pela fé e guiados pela razão, podemos dizer: Deus criou o mundo para sua glória e para a felicidade das criaturas.
         “Os céus proclamam a glória de Deus...” Sl 18

*Façamos também a pergunta profunda e comovente:
E Deus, o Criador, ama suas criaturas?
         Sim. Deus, o Criador, ama com misteriosos amor e carinho divinal todas suas criaturas. Por essa razão, Deus as conserva e as governa e as assiste com sua divina sabedoria e providência.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

1ª LIÇÃO DO CATECISMO

Salve Maria!
Como proposto para atividades do blog, iniciaremos um estudo "básico" da Fé Cristã Católica. Infelizmente muitos não tiveram a oportunidade de receber um bom catecismo antes de fazer 1ª Comunhão e por isso não se interessaram em buscar o conhecimento da Fé e suplicar ao Senhor tão grande dom. Esse catecismo que publicarei foi-me dado por minha avó paterna quando eu era criança. Um tesouro e relíquia dos tempos que as editoras católicas eram de fato Católicas. Não colocarei pensamentos meus, só escreverei o que estiver no livro, que de tão velho, mas de conteúdo tão atual, se decompõem em páginas amareladas...
Boa leitura, caros irmãos e irmãs! Estudai o catecismo! Foi um mandado de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, Gloriosamente Reinante!


1ª LIÇÃO

A primeira grande pergunta

*Quem somos nós?
Somos criaturas compostas de corpo e alma e dotadas de inteligência e de vontade livre. Nosso corpo é mortal e nossa alma é espiritual e imortal. Somos misteriosos peregrinos deste mundo rumo a eternidade

*E quem nos criou?
Foi Deus quem nos criou, nos deu a existência, a vida e tudo o que temos e possuímos. Somos todos irmãos. Tudo é para todos.

*E para que vivemos neste mundo?
Vivemos neste mundo para conhecer e amar a Deus, nosso divino Criador. Vivemos também neste mundo para sermos bons, felizes e realizados nesta vida e, assim, alcançar a felicidade eterna.

*Como podemos alcançar esse nosso fim?
Alcançaremos nosso fim cumprindo a vontade de Deus, nosso Criador, que se manifesta nos ensinamentos da fé cristã.

*Onde encontramos esses ensinamentos da fé cristã?
Encontramos esses ensinamentos da fé cristã na Sagrada escritura e na Tradição que é uma autêntica complementação da Sagrada Escritura.

*O que é o catecismo?
O catecismo católico é um precioso e claro resumo das doutrinas de fé e moral contidas na Sagrada Escritura e na Tradição.

Catequese de Sua Santidade, o Papa Bento XVI , Dia dos fiéis defuntos - 02/11/2011



CATEQUESE
Sala Paulo VIVaticano
Quarta-feira, 02 de novembro de 2011
Dia dos fiéis defuntos 


Caros irmãos e irmãs!

Depois de ter celebrado a solenidade de todos os santos, a Igreja nos convida hoje a comemorar todos os fiéis defuntos, a voltar o nosso olhar a tantos rostos que nos precederam e que concluiram o caminho terreno. Na audiência deste dia, então, gostaria de propor-vos alguns simples pensamentos sobre a realidade da morte, que para nós cristãos é iluminada pela ressurreição de Cristo e para renovar a nossa fé na vida eterna.

Como eu já dizia ontem no Angelus, nestes dias, nos dirigimos ao cemitério para rezar pelas pessoas caras que nos deixaram, as  visitamos para exprimir a elas, mais uma vez, o nosso afeto, para senti-las ainda próximas, recordando também, deste modo, uma parte do Credo: na comunhão dos santos existe uma estreita ligação entre nós que caminhamos ainda nesta terra e tantos irmãos e irmãs que já atingiram a eternidade.

Desde sempre o homem se preocupou dos seus mortos e procurou dar-lhes uma espécie de segunda vida através da atenção, do cuidado e do afeto. Em um certo modo existe um desejo de conservar o que deixaram como experiencia de vida e, paradoxalmente, como esses viveram, o que amaram, o que tiveram, o que esperaram e que coisa detestaram, algo que descobrimos olhando as tumbas, diante das quais se multiplicam as recordações, que são quase um espelho do mundo deles.

Por que é assim? Porque, apesar da morte ser um tema quase proibido na nossa sociedade, e exista a tentativa contínua de tirar da nossa mente nem que seja somente o pensamento da morte, essa está relacionada com cada um de nós, relacionada com o homem de cada tempo e de cada espaço. E diante deste mistério, todos, também inconscientemente, procuramos algo que nos convide a esperar, um sinal que nos dê consolação, que nos abra algum horizonte, que nos ofereça ainda um futuro. A estrada da morte, na realidade, é uma vida de esperança e, percorrer os nossos cemitérios, como também ler aquilo que está escrito sobre as tumbas é cumprir um caminho marcado pela esperança da eternidade.

Mas nos perguntamos: por que temos tanto medo diante da morte? Por que a humanidade, em grande parte, nunca se mostrou em acreditar que além da morte não existe simplesmente o nada? Diria que as respostas são múltiplas: temos medo diante da morte porque temos medo do nada, deste medo de partir em direção a algo que não conhecemos, que nos é desconhecido. E então existe em nós um sentido de rejeição porque não podemos aceitar que tudo aquilo de belo e de grande que foi realizado durante uma existencia inteira, venha de repente apagado, caia no abismo do nada. Sobretudo, nós sentimos que o amor chama e pede eternidade e não é possível aceitar que isto venha destruído pela morte em um só momento.

Ainda, temos medo diante da morte porque, quando nos encontramos rumo ao fim da existência, existe a percepção que exista um juízo sobre as nossas ações, sobre como conduzimos a nossa vida, sobretudo sobre este pontos de sombra, que, com habilidade, sabemos remover e tentamos remover da nossa consciência. Diria que exatamente a questão do juízo é geralmente subtendida no cuidado do homem de todos os tempos pelos defuntos, na atenção em relação as pessoas que foram significativas para ele e que não estão mais ao lado no caminho da vida terrena. Em um certo sentido, os gestos de afeto, de amor que circundam o defunto, são um modo para protegê-lo na convicção que esses não estejam sem afeto no juízo. Isto podemos colher na maior parte das culturas que caracterizam a história do homem.

Hoje o mundo se tornou, ao menos aparentemente, muito mais racional, ou melhor, se difundiu a tendência de pensar que todas as realidades devam ser afrontadas com os critérios da ciencia experimental, e que à grande questão da morte se deva responder não tanto com a fé, mas partindo dos conhecimentos experimentais, empíricos. Deste modo, nem se dá conta que deste modo pode-se cair em formas de espiritismo, na tentativa de ter qualquer contato com o mundo além da morte, quase imaginando que exista uma realidade que, no fim, seria uma copia da presente.

Caros amigos, a solenidade de todos os santos e a comemoração de todos os fiéis defuntos nos dizem que somente quem pode reconhecer uma grande esperança na morte, pode também viver uma vida a partir da esperança. Se nós reduzimos o homem exclusivamente à sua dimensão horizontal, a isto que se pode perceber empiricamente, a mesma vida perde o seu sentido profundo. O homem tem necessidade de eternidade e toda outra esperança para ele é muito breve, muito limitada. O homem é explicável somente se existe um amor que supere todo isolamento, tamném aquele da morte, em uma totalidade que transcenda também o espaço e o tempoO homem é explicável, encontra seu sentido mais profundo, somente se existe Deus. E nós sabemos que Deus saiu da sua distancia e se fez próximo, entrou na nossa vida e nos diz: "Eu sou a ressurreição e a vida, quem cre em mim, também se morrer viverá, aquele que vive e crê em mim não morrerá eternamente.

Pensemos um momento na cena do Calvário e reescutemos as palavras que Jesus, do alto da Cruz, dirige ao homem que está à sua direita: "Em verdade eu te digo: Hoje mesmo estarás comigo no paraíso". Pensemos aos dois discípulos na estrada de Emaús, quando, depois de ter percorrido uma parte da estrada com Jesus ressucitado, o reconhecem e partem para Jerusalém para anunciar a Ressurreição do Senhor. À mente retornam com renovada clareza as palavras do Mestra: "Não se perturbe o vosso coração. Tenhais fé em Deus e tenhais fé também em mim. Na casa do Pai existem muitas moradas. Se não, jamais vos teria dito: "Vou a preparar-vos um lugar"?.

Deus se mostrou verdadeiramente, se tornou acessível, tanto amou o mundo ao ponto de dar seu filho único, a fim que aquele que crer nEle não se perca, mas tenha a vida eterna e, no supremo ato de amor da Cruz, imergindo-se no abismo da morte, a venceu, é ressucitado e abriu também a nós as portas da eternidade. Cristo nos sustenta através a noite da morte que Ele mesmo atravessou. É o Bom pastor, cuja direção se pode confiar sem nenhum medo, porque Ele conhece bem a estrada, também aquela que passa pela escuridão.

Cada domingo, recitando o Credo, nós reafirmamos esta verdade. E ao nos dirigirmos aos cemitérios para rezar com afeto e com amor pelos nossos defuntos, somos convidados, mais uma vez, a renovar com coragem e com força a nossa fé na vida eterna, e mais, viver com esta grande esperança e testemunhá-la ao mundo: atrás do presente não existe o nada. E exatamente a fé na vida eterna dá ao cristão a coragem de amar mais intensamente esta nossa terra e de trabalhar para construir um futuro, para dar-lhe uma verdadeira e segura esperança.
Obrigado!