quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Catequese com o Papa Francisco: remissão dos pecados - 20/11/2013



CATEQUESE - Remissão dos pecados
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 20 de novembro de 2013



Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quarta-feira passada falei da remissão dos pecados, referida de modo particular ao Batismo. Hoje prosseguimos no tema da remissão dos pecados, mas em referência ao chamado “poder das chaves”, que é um símbolo bíblico da missão que Jesus deu aos Apóstolos.



Antes de tudo, devemos recordar que o protagonista do perdão dos pecados é o Espírito Santo. Em sua primeira aparição aos Apóstolos, no cenáculo, Jesus ressuscitado fez o gesto de assoprar sobre eles dizendo: “Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 22-23). Jesus, transfigurado em seu corpo, agora é homem novo, que oferece os dons pascoais frutos da sua morte e ressurreição. Quais são estes dons? A paz, a alegria, o perdão dos pecados, a missão, mas, sobretudo, doa o Espírito Santo que de tudo isto é a fonte. O sopro de Jesus, acompanhado das palavras com as quais comunica o Espírito, indica o transmitir a vida, a vida nova regenerada pelo perdão.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Catequese com o Papa Francisco – 13/11/2013 - Creio na Igreja Una



CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 25 de setembro de 2013



Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

No “Credo” nós dizemos “Creio na Igreja, una”, professamos, isso é, que a Igreja é única e esta Igreja é em si mesma unidade. Mas se olhamos para a Igreja Católica no mundo descobrimos que essa compreende quase 3000 dioceses espalhadas em todos os Continentes: tantas línguas, tantas culturas! Aqui há tantos bispos de tantas culturas diferentes, de tantos países. Há o bispo de Sri Lanka, o bispo do Sul da África, um bispo da Índia, há tantos aqui… Bispos da América Latina. A Igreja está espalhada em todo o mundo! No entanto, as milhares de comunidades católicas formam uma unidade. Como pode acontecer isto?

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Catequese com o Papa Francisco - 06/11/2013 - Comunhão dos Santos



CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 6 de novembro de 2013





Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quarta-feira passada falei da comunhão dos santos, entendida como comunhão entre as pessoas santas, isso é, entre nós crentes. Hoje gostaria de aprofundar outro aspecto desta realidade: vocês se lembram de que eram dois aspectos: um a comunhão, a unidade entre nós, e o outro aspecto a comunhão nas coisas santas, nos bens espirituais. Os dois aspectos estão intimamente ligados entre si, de fato, a comunhão entre os cristãos cresce mediante a participação nos bens espirituais. Em particular, consideremos: os Sacramentos, os carismas e a caridade (cfr Catecismo da Igreja Católica nn 949-953). Nós crescemos em unidade, em comunhão, com: os Sacramentos, os carismas que cada um tem do Espírito Santo e com a caridade.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Catequese com o Papa Francisco – 23/10/2013 - Sobre Maria Santíssima



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Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 23 de outubro de 2013



Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Continuando as catequeses sobre a Igreja, hoje gostaria de olhar para Maria como imagem e modelo da Igreja. Faço isso retomando uma expressão do Concílio Vaticano II. Diz a Constituição Lumen gentium: “Como já ensinava Santo Ambrósio, a Mãe de Deus é figura da Igreja na ordem da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo” (n. 63).

1. Partamos do primeiro aspecto, Maria como modelo de fé. Em que sentido Maria representa um modelo para a fé da Igreja? Pensemos em quem era a Virgem Maria: uma moça judia, que esperava com todo o coração a redenção do seu povo. Mas naquele coração de jovem filha de Israel havia um segredo que ela mesma ainda não conhecia: no desígnio do amor de Deus estava destinada a tornar-se a Mãe do Redentor. Na Anunciação, o Mensageiro de Deus chama-a “cheia de graça” e lhe revela este projeto. Maria responde “sim” e daquele momento a fé de Maria recebe uma luz nova: concentra-se em Jesus, o Filho de Deus que dela se fez carne e no qual se cumprem as promessas de toda a história da salvação. A fé de Maria é o cumprimento da fé de Israel, nela está justamente concentrado todo o caminho, toda a estrada daquele povo que esperava a redenção, neste sentido é o modelo da fé da Igreja que tem como centro Cristo, encarnação do amor infinito de Deus.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Catequese com o Papa Francisco – 16/10/2013

Sobre a apostolicidade da Igreja.


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Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 16 de outubro de 2013




Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quando recitamos o Credo dizemos: “Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica”. Não sei se vocês já refletiram sobre o significado que tem a expressão “a Igreja é apostólica”. Talvez qualquer vez, vindo a Roma, vocês tenham pensado na importância dos Apóstolos Pedro e Paulo que aqui doaram as suas vidas para levar e testemunhar o Evangelho.

Mas é mais que isso. Professar que a Igreja é apostólica significa destacar a ligação constitutiva que essa possui com os Apóstolos, com aquele pequeno grupo de doze homens que Jesus um dia chamou a si, chamou-os pelo nome, para que permanecessem com Ele e para enviá-los a pregar (cfr Mc 3, 13-19). “Apóstolo”, de fato, é uma palavra grega que quer dizer “mandado”, “enviado”. Um apóstolo é uma pessoa que é mandada, é enviada a fazer alguma coisa e os Apóstolos foram escolhidos, chamados e enviados por Jesus para continuar a sua obra, para orar – é o primeiro trabalho de um apóstolo – e, segundo, anunciar o Evangelho. Isso é importante porque quando pensamos nos Apóstolos poderíamos pensar que foram somente anunciar o Evangelho, fazer tantas obras. Mas nos primeiros tempos da Igreja houve um problema porque os Apóstolos deviam fazer tantas coisas e então formaram os diáconos, para que houvesse para os Apóstolos mais tempo para pregar e anunciar a Palavra de Deus. Quando pensamos nos sucessores dos Apóstolos, os Bispos, incluindo o Papa, porque ele também é um bispo, devemos perguntar-nos se este sucessor dos Apóstolos primeiro reza e depois se anuncia o Evangelho: isto é ser Apóstolo e por isto a Igreja é apostólica. Todos nós, se queremos ser apóstolos como explicarei agora, devemos perguntar-nos: eu rezo pela salvação do mundo? Anuncio o Evangelho? Esta é a Igreja apostólica! É uma ligação constitutiva que temos com os Apóstolos.

Partindo propriamente disto gostaria de destacar brevemente três significados do adjetivo “apostólico” aplicado à Igreja.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Catequese com o Papa Francisco – 09/10/2013 - Creio na Igreja Católica!



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Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! Vê-se que hoje, com esta bruta jornada, vocês são corajosos: parabéns!

“Creio na Igreja una, santa, católica…” Hoje nos concentramos em refletir sobre este aspecto da Igreja: digamos católica, é o Ano da catolicidade. Antes de tudo: o que significa católico? Deriva do grego “kath’olòn” que quer dizer “segundo o tudo”, a totalidade. Em que sentido esta totalidade se aplica à Igreja? Em que sentido nós dizemos que a Igreja é católica? Em diria que em três significados fundamentais.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Catequese do Papa Francisco - 02/10/13 - Creio na Igreja Santa



CATEQUESE - CREIO NA IGREJA SANTA

Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 2 de outubro de 2013


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

No “Credo”, depois de ter professado “Creio na Igreja una”, acrescentamos o adjetivo “santa”; afirmamos, isto é, a santidade da Igreja e esta é uma característica que já esteve presente desde o início na consciência dos primeiros cristãos, os quais se chamavam simplesmente “os santos” (cfr At 9, 13. 32. 41; Rm 8, 27; 1 Cor 6, 1), porque tinham a certeza de que a ação de Deus, o Espírito Santo que santifica a Igreja.

Mas em que sentido a Igreja é santa se vemos que a Igreja histórica, em seu caminho ao longo dos séculos, teve tantas dificuldades, problemas, momentos sombrios? Como pode ser santa uma Igreja feita de seres humanos, de pecadores? Homens pecadores, mulheres pecadoras, sacerdotes pecadores, irmãs pecadoras, bispos pecadores, cardeais pecadores, Papa pecador? Todos. Como pode ser santa uma Igreja assim?

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Catequese do Papa Francisco - 25/09/13 - A Unidade da Igreja



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Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 25 de setembro de 2013



Queridos irmãos e irmãs, bom dia,

No “Credo” nós dizemos “Creio na Igreja, una”, professamos, isso é, que a Igreja é única e esta Igreja é em si mesma unidade. Mas se olhamos para a Igreja Católica no mundo descobrimos que essa compreende quase 3000 dioceses espalhadas em todos os Continentes: tantas línguas, tantas culturas! Aqui há tantos bispos de tantas culturas diferentes, de tantos países. Há o bispo de Sri Lanka, o bispo do Sul da África, um bispo da Índia, há tantos aqui… Bispos da América Latina. A Igreja está espalhada em todo o mundo! No entanto, as milhares de comunidades católicas formam uma unidade. Como pode acontecer isto?

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Catequese com o Papa Francisco – 18/09/2013 - "A IGREJA É COMO UMA BOA MÃE, SEMPRE PERDOA"



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Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 18 de setembro de 2013




Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje retorno ainda sobre a imagem da Igreja como mãe. Eu gosto tanto dessa imagem da Igreja como mãe. Por isto, quis retornar a ela, porque esta imagem me parece que nos diz não somente como é a Igreja, mas também qual face deveria ter sempre mais a Igreja, esta nossa mãe Igreja.

Gostaria de destacar três coisas, sempre olhando às nossas mães, a tudo aquilo que fazem, que vivem, que sofrem pelos próprios filhos, continuando aquilo que disse quarta-feira passada. Eu me pergunto: o que faz uma mãe?

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Catequese com o Papa Francisco – 11/09/2013 - Sobre a Santa Mãe Igreja



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Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 11 de setembro de 2013




Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Retomamos hoje as catequeses sobre a Igreja neste “Ano da Fé”. Entre as imagens que o Concílio Vaticano II escolheu para fazer-nos entender melhor a natureza da Igreja, há aquela da “mãe”: a Igreja é nossa mãe na fé, na vida sobrenatural (cfr. Const. dogm. Lumen gentium, 6.14.15.41.42). É uma das imagens mais usadas pelos Padres da Igreja nos primeiros séculos e penso que possa ser útil para nós. Para mim, é uma das imagens mais belas da Igreja: a Igreja mãe! Em que sentido e de que modo a Igreja é mãe? Partamos da realidade humana da maternidade: o que faz uma mãe?

sábado, 7 de setembro de 2013

Catequese do Papa Francisco - 04/08/2013

Salve Maria! Voltamos com a catequese semanal do Santo Padre Francisco.



CatequesePraça São Pedro – VaticanoQuarta-feira, 4 de setembro de 2013



Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Retomamos o caminho das catequeses, depois das férias de agosto, mas hoje gostaria de falar com vocês da minha viagem ao Brasil, em ocasião da Jornada Mundial da Juventude. Passou-se mais de um mês, mas considero importante retornar a este evento, e a distância de tempo permite compreender melhor o significado.

Antes de tudo desejo agradecer ao Senhor, porque foi Ele que guiou tudo com a sua Providência. Para mim, que venho das Américas, foi um grande presente! E por isto agradeço também Nossa Senhora Aparecida, que acompanhou toda esta viagem: fiz a peregrinação ao grande Santuário nacional brasileiro, e a sua venerável imagem estava sempre presente no palco da JMJ. Fiquei muito contente com isto, porque Nossa Senhora Aparecida é muito importante para a história da Igreja no Brasil, mas também para toda a América Latina; em Aparecida os bispos latino-americanos e do Caribe vivemos uma Assembleia geral, com o Papa Bento: uma etapa muito significativa do caminho pastoral naquela parte do mundo onde vive a maior parte da Igreja católica.

Mesmo se já o fiz, quero renovar o agradecimento a todas as Autoridades civis e eclesiásticas, aos voluntários, à segurança, às comunidades paroquiais do Rio de Janeiro e de outras cidades do Brasil, onde os peregrinos foram acolhidos com grande fraternidade. De fato, o acolhimento das famílias brasileiras e das paróquias foi uma das características mais belas desta JMJ. Brava gente estes brasileiros. Brava gente! Têm realmente um grande coração. A peregrinação comporta sempre desconfortos, mas o acolhimento ajuda a superá-los e, antes, transforma-os em ocasião de conhecimento e de amizade. Nascem laços que depois permanecem, sobretudo na oração. Também assim cresce a Igreja em todo o mundo, como uma rede de verdadeiras amizades em Jesus Cristo, uma rede que enquanto te prende te liberta. Então, acolhimento: e esta é a primeira palavra que emerge da experiência da viagem ao Brasil. Acolhida!

Uma outra palavra que resume pode ser festa. A JMJ é sempre uma festa, porque quando uma cidade se preenche com jovens e jovens que percorrem as ruas com as bandeiras de todo o mundo, saudando-se, abraçando-se, esta é uma verdadeira festa. É um sinal para todos, não só para os crentes. Mas depois há a festa maior que é a festa da fé, quando juntos se louva o Senhor, canta-se, escuta-se a Palavra de Deus, permanece-se em silêncio de adoração: tudo isto é o ápice da JMJ, é o verdadeiro escopo desta grande peregrinação e se vive este momento de modo particular na grande Vigília do sábado à noite e na Missa final. Aqui está: está é a grande festa, a festa da fé e da fraternidade, que começa neste mundo e não terá fim. Mas isto é possível somente com o Senhor. Sem o amor de Deus não há verdadeira festa para o homem!

Acolhimento, festa. Mas não pode faltar um terceiro elemento: missão. Esta JMJ foi caracterizada por um tema missionário: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”. Ouvimos a palavra de Jesus: é a missão que Ele dá a todos! É o mandato de Cristo Ressuscitado aos seus discípulos: “Ide”, saiam de si mesmos, de todo fechamento para levar a luz e o amor do Evangelho a todos, até as extremas periferias da existência! E foi justamente este mandato de Jesus que confiei aos jovens que enchiam a perder de vista a praia de Copacabana. Um lugar simbólico, à margem do oceano, que fazia pensar na margem do lago da Galileia. Sim, porque mesmo hoje o Senhor repete: “Ide…”, e acrescenta: “Eu estou convosco, todos os dias…”. Isto é fundamental! Somente com Cristo nós podemos levar o Evangelho. Sem Ele não podemos fazer nada – disse-nos Ele mesmo (cfr Jo 15, 5). Com Ele, em vez disso, unidos a Ele, podemos fazer tanto. Mesmo um rapaz, uma moça, que aos olhos do mundo conta pouco ou nada, aos olhos de Deus é um apóstolo do Reino, é uma esperança para Deus! A todos os jovens gostaria de perguntar com força, mas eu não sei se hoje na Praça há jovens: há jovens na Praça? Há alguns! Gostaria, a todos vocês, de perguntar com força: vocês querem ser uma esperança para Deus? Querem ser uma esperança, vocês? [Jovens: Sim!] Querem ser uma esperança para a Igreja? [Jovens: “Sim!”] Um coração jovem, que acolhe o amor de Cristo, transforma-se em esperança para os outros, é uma força imensa! Mas vocês, rapazes e moças, todos os jovens, vocês devem nos transformar e vos transformar em esperança! Abrir as portas rumo a um mundo novo de esperança. Esta é a tarefa de vocês. Querem ser esperança para todos nós? [Jovens: “Sim!”]. Pensemos no que significa aquela multidão de jovens que encontraram Cristo ressuscitado no Rio de Janeiro e levam o seu amor na vida de todos os dias, vivem-no, comunicam-no. Não vão para os jornais porque não cometem atos violentos, não fazem escândalo e então não fazem notícia. Mas, se permanecem unidos a Jesus, constroem o seu Reino, constroem fraternidade, partilha, obras de misericórdia, são uma força poderosa para tornar o mundo mais justo e mais belo, para transformá-lo! Gostaria de perguntar agora aos rapazes e moças, que estão aqui na Praça: vocês têm coragem de acolher este desafio? [Jovens: “Sim”] Têm coragem ou não? Eu ouvi pouco… [Jovens: “Sim”] Vocês estão animados para ser esta força de amor e de misericórdia que tem a coragem de querer transformar o mundo? [Jovens: “Sim”].

Queridos amigos, a experiência da JMJ nos recorda a verdadeira grande notícia da história, a Boa Nova, mesmo se não aparece nos jornais e na televisão: somos amados por Deus, que é nosso Pai e que enviou o seu Filho Jesus para fazer-se próximo a cada um de nós e nos salvar. Enviou Jesus para nos salvar, para perdoar todos, porque Ele sempre perdoa: Ele sempre perdoa, porque é bom e misericordioso. Recordem: acolhimento, festa e missão. Três palavras: acolhimento, festa e missão. Estas palavras não são só uma recordação daquilo que aconteceu no Rio, mas são alma da nossa vida e das nossas comunidades divinas, contribuem para construir um mundo mais justo e solidário. Obrigado!

Apelo do Papa


No próximo sábado viveremos juntos um dia especial de jejum e de oração pela paz na Síria, no Oriente Médio, no mundo todo. Também para a paz nos nossos corações, porque a paz começa no coração! Renovo o convite a toda a Igreja a viver intensamente este dia, e, desde agora, exprimo reconhecimento aos outros irmãos cristãos, aos irmãos de outras religiões e aos homens e mulheres de boa vontade que queiram se unir, nos lugares e nos modos próprios, a este momento. Exorto em particular os fiéis romanos e os peregrinos a participarem da vigília de oração aqui, na Praça São Pedro, às 19h, para invocar ao Senhor o grande dom da paz. Se eleve forte em toda a terra o grito da paz!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Contra a depravação do espírito


Contra a depravação do espírito
pelo cônego Xavier Pedrosa, Olinda, Pernambuco
Revista Eclesiástica Brasileira, vol. 1, março-junho 1941.

Os exmos. senhores arcebispos e bispos da província eclesiástica de São Paulo, na Carta Pastoral Coletiva que escreveram ultimamente aos fiéis, condenaram corajosamente a literatura pornográfica ou morbidamente sentimental, bem como as canções populares depravadas a que dão publicidade as nossas casas editoras e as estações rádio-emissoras brasileiras, dizendo:

“A literatura pornográfica ou morbidamente sentimental vai-se difundindo sem que lhe oponham embargos. Livros positivamente maus, corruptores do caráter e da consciência são vendidos nas estradas de ferro, expostos nas vitrinas e, o que é muitíssimo peior, enviados  pelas casas editoras, com singular estratagema, Às famílias do interior, sem que estas se comprometam a comprá-los, tocando-lhes apenas o trabalho de os devolver, caso não aceitem a abjeta mercadoria. Quem conhece a natural ingenuidade do nosso povo, facilmente percebe o cínico abuso que se faz da simplicidade e timidez da nossa gente, para contaminar cidades, vilas e povoados com esse veneno da peior espécie”

Condenamos, como bispos e como brasileiros, as organizações e editoras que sem pejo se consagram à fúnebre empreitada de corromper  o coração da mocidade masculina e feminina, desfibrando o caráter da nossa gente e arruinando o futuro do Brasil com esse comércio imoral e anti-patriótico”.

“Tem os povos, nas suas canções populares, a melhor expressão de sua alma, porquanto nelas guardam fatos da sua história, cenas da sua natureza, inspiração dos seus vates, melodias dos seus artistas, em estrofes pelas quais algo perpassa que sobrevive os próprios autores. Por isto mesmo representam cancioneiros uma relíquia nacional.

Ultimamente, contudo, abastardou-se entre nós, de tal forma o espírito, a letra e a melodia dessas canções, principalmente as que se cantam aos folguedos carnavalescos, que deveríamos corar de pejo, se elas de fato exprimissem o que nos vai na alma. Custa mesmo crer que obtenham elas o assentimento oficial para serem divulgadas, tanto é intonso o vernáculo, tão grosseiro o tema, tão baixo o ideal de existência que apresentam, tão vulgares os sentimentos e tão obscenos o termos, que miseravelmente corrompem a mentalidade de nosso povo. Que poderia o pais esperar de seus filhos que cantam a indolência, a sensualidade, a despreocupação das coisas sérias e elevadas? Estaria antecipadamente votado à derrota”.



Não podiam ser mais positivos na exposição dos grandes perigos que ameaçam o futuro da nossa fé no Brasil, nem condená-los com maior energia e coragem apostólicas os representantes do nosso venerando episcopado.

Literatura pornográfico

(...) O espírito pagão que as doutrinas atrevidas do século passado espalharam em todos os países da Europa e da América, se serviu do livro como o mais perigoso veículo de depravação, de corrupção dos costumes.

(...) Hoje se escreve o romance e a novela no Brasil com o propósito de depravar a alma dos leitores. O escritor que não escreveu seus romances páginas atrevidas, licenciosas, picantes, que não pintou ao vivo as cenas brutais da vida humana, que não escarpelou as chagas das hediondas da sociedade viciada em que vivemos, é um escritor destinado ao desprezo da crítica literária, ao esquecimento dos leitores, um escrito fora do seu tempo, sem expressão, sem a compreensão do sentido da brasilidade que a literatura do tempo possa possuir.

(...)

Os livros irreligiosos empregam a blasfêmia, o sofisma, a mentira, a zombaria, fingem ciência e empregam estilo especioso para conseguirem o seu fim. Fora destes há o livro frívolo, sinuoso, que não ataca diretamente, mas traz debaixo de seu tom aparentemente inofensivo um cepticismo perigoso que os leva à crítica fina aos nossos dogmas, à autoridade doutrina da Igreja, aos preceitos da religião e ao magistério divino que guia e orienta a nossa fé.

(...)

Canções populares transmitidas pelo rádio

Mas, infelizmente, não é só o mau livro e o mau jornal que corrompem e depravam o espírito brasileiro. São também as canções, os cantos populares, que, transmitidos abusiva e intempestivamente pelas nossas rádio-transmissoras, longe de educar o povo, corrompem a alma nacional, desfibram e arruínam o caráter de nossa gente, embrutecendo o espírito nacional e materializando o verdadeiro e nobre sentido da vida. (...)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Carta Encíclica Lumen Fidei



CARTA ENCÍCLICA

LUMEN FIDEI

DO SUMO PONTÍFICE
FRANCISCO

AOS BISPOS
AOS PRESBÍTEROS E AOS DIÁCONOS
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS
E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS
SOBRE A FÉ

1. A luz da fé é a expressão com que a tradição da Igreja designou o grande dom trazido por Jesus. Eis como Ele Se nos apresenta, no Evangelho de João: « Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em Mim não fique nas trevas » (Jo 12, 46). E São Paulo exprime-se nestes termos: « Porque o Deus que disse: “das trevas brilhe a luz”, foi quem brilhou nos nossos corações » (2 Cor 4, 6). No mundo pagão, com fome de luz, tinha-se desenvolvido o culto do deus Sol, Sol invictus, invocado na sua aurora. Embora o sol renascesse cada dia, facilmente se percebia que era incapaz de irradiar a sua luz sobre toda a existência do homem. De facto, o sol não ilumina toda a realidade, sendo os seus raios incapazes de chegar até às sombras da morte, onde a vista humana se fecha para a sua luz. Aliás « nunca se viu ninguém — afirma o mártir São Justino — pronto a morrer pela sua fé no sol ».[1] Conscientes do amplo horizonte que a fé lhes abria, os cristãos chamaram a Cristo o verdadeiro Sol, « cujos raios dão a vida ».[2] A Marta, em lágrimas pela morte do irmão Lázaro, Jesus diz-lhe: « Eu não te disse que, se acreditares, verás a glória de Deus? » (Jo 11, 40). Quem acredita, vê; vê com uma luz que ilumina todo o percurso da estrada, porque nos vem de Cristo ressuscitado, estrela da manhã que não tem ocaso.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Os Sete Pai nossos em Honra do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor

Salve Maria Santíssima! Viva Cristo Rei!


A devoção ao Preciosíssimo Sangue de Jesus remonta a Igreja nascente, sobretudo em reverência ao sangue de Jesus derramado na cruz e também em alusão ao sangue de Cristo na Eucaristia. Foi, porém, no XIX, que São Gaspar Del Búfalo empreendeu grande campanha na propagação dessa devoção, cujo reconhecimento pela Sé Apostólica permitiu a composição da missa e ofício próprio por ordem do Papa Bento XIV. Posteriormente, por decreto do Papa Pio IX, a devoção foi estendida à toda Igreja. Por isso, até hoje São Gaspar é reconhecido pela Igreja Católica como o "Apóstolo do Preciosíssimo Sangue". A Igreja estabeleceu o mês de julho como o mês dedicado ao Preciosíssimo Sangue. 



A liturgia do Preciosíssimo Sangue era celebrada desde há muito tempo em algumas igrejas particulares e institutos religiosos. A sua celebração foi concedida à Congregação Passionista no final do ano 1773. Encontramos exposta a devoção ao Preciosíssimo Sangue em São Paulo da Cruz e nos primeiros Passionistas, principalmente em S. Vicente Maria Strambi, que a aprofundou e a divulgou, escrevendo, inclusive, um livrinho para o mês do Preciosíssimo Sangue. O ofício atual foi tomado em grande parte dos Missionários do Preciosíssimo Sangue: apresenta-nos como que uma antologia dos melhores textos da Sagrada Escritura que nos falam do Sangue de Jesus e da sua vida redentora, ajudando-nos a ver nele a fonte da nossa esperança e salvação.





Os Sete Pai Nossos

(Em honra do Sangue de Jesus)


O divino Salvador revelou a Santa Brígida a promessa seguinte:

"Sabei que darei 5 graças àqueles que, durante 12 anos, rezarem sete Pai Nossos e Ave Marias em honra do meu precioso Sangue:


* Não terão que passar pelo purgatório.
* Aceitá-los-ei no Coro dos Mártires como se tivessem derramado seu sangue pela fé.
* Conservarei 3 almas de seus parentes na graça santificante conforme sua escolha.
* As almas dos seus parentes até o 4o. grau escaparão do inferno.
* Um mês antes de sua morte ser-lhes-á dado conhecimento dela.

Se por acaso morrerem antes dos 12 anos completos, irei julgar como se fossem as condições cumpridas".

Papa Inocêncio X confirmou esta revelação e acrescentou que as almas cumpridoras das condições libertarão cada Sexta-Feira Santa uma alma do Purgatório. A esta devoção, facilmente, se unirá a veneração e o oferecimento das Santas Chagas do nosso Salvador, pois das suas chagas brotou o Precioso Sangue. O Redentor recomendou este exercício à irmã Maria Marta Chambon e lhe deu grandes promessas a respeito deste.


quarta-feira, 26 de junho de 2013

O CAOS - Por Dom Fernando Arêas Rifan

O CAOS


Dom Fernando Arêas Rifan* 





















As recentes manifestações - à parte os lamentáveis excessos, desordens e infiltrações dos que querem o pior, - mostram o lado positivo de os jovens, saindo de uma lamentável inércia, se entusiasmar por uma causa comum, fora deles mesmos, pelo bem da sociedade. Somos-lhes solidários nas justas causas e protestos. Mas é claro que devem sempre discernir sobre os limites da sua inconformidade e saber contra quem e o quê estão se manifestando.

“O direito democrático a manifestações como estas deve ser sempre garantido pelo Estado. De todos espera-se o respeito à paz e à ordem. Nada justifica a violência, a destruição do patrimônio público e privado, o desrespeito e a agressão a pessoas e instituições, o cerceamento à liberdade de ir e vir, de pensar e agir diferente, que devem ser repudiados com veemência. Quando isso ocorre, negam-se os valores inerentes às manifestações, instalando-se uma incoerência corrosiva que leva ao descrédito” (Nota da CNBB, 21/6/2013).

Catequese do Papa Francisco - Igreja, Templo - 26/06/2013



CATEQUESE - Igreja, Templo.Praça São PedroQuarta-feira, 26 de junho de 2013


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de fazer uma breve referência a outra imagem que nos ajuda a ilustrar o mistério da Igreja: aquela do templo (cfr Con. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 6).

Em que nos faz pensar a palavra templo? Nos faz pensar em um edifício, em uma construção. De modo particular, a mente de muitos vai à história do Povo de Israel narrada no Antigo Testamento. Em Jerusalém, o grande Templo de Salomão era o lugar de encontro com Deus na oração; dentro do Templo havia a Arca da Aliança, sinal da presença de Deus em meio ao povo; e na Arca havia as Tábuas da Lei, o maná e a vara de Arão um lembrete de que Deus estava sempre dentro da história de seu povo, o acompanhava no caminho, guiava seus passos. O templo recorda essa história: também nós quando vamos ao templo devemos recordar esta história, cada um de nós a nossa história, como Jesus me encontrou, como Jesus caminhou comigo, como Jesus me ama e me abençoa.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Catequese do Papa: Igreja, Corpo de Cristo – 19/06/2013







VIVA O PAPA! VIVA A IGREJA CATÓLICA! VIVA CRISTO REI!









Como todas as quartas-feiras, o Papa Francisco encontrou-se, esta manhã, na Praça São Pedro, no Vaticano, com numerosos peregrinos e fiéis de diversos Países para a habitual Audiência Geral. Em sua catequese, o Santo Padre se deteve sobre outra expressão, com a qual o Concílio Vaticano II indica a natureza da Igreja: Igreja como Corpo de Cristo!


















CATEQUESE - Igreja - Corpo de CristoPraça São PedroQuarta-feira, 19 de junho de 2013



















Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje concentro-me sobre outra expressão com a qual o Concílio Vaticano II indica a natureza da Igreja: aquela do corpo; o Concílio diz que a Igreja é o Corpo de Cristo (cfr Lumen gentium, 7).

Gostaria de partir de um texto dos Atos dos Apóstolos que conhecemos bem: a conversão de Saulo, que se chamará depois Paulo, um dos maiores evangelizadores (cfr At 9, 4-5). Saulo é um perseguidor dos cristãos, mas enquanto está percorrendo o caminho que leva à cidade de Damasco, de repente uma luz o envolve, cai no chão e ele ouve uma voz que o diz: “Saulo, por que me persegues?”. Ele pergunta: “Quem és, Senhor?”, e aquela voz responde: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (v. 3-5). Esta experiência de São Paulo nos diz quanto é profunda a união entre nós cristãos e o próprio Cristo. Quando Jesus subiu ao céu, não nos deixou órfãos, mas com o dom do Espírito Santo a união com Ele transformou-se ainda mais intensa. O Concílio Vaticano II afirma que Jesus “comunicando o seu Espírito, constitui misticamente como seu corpo os seus irmãos, chamados de todos os povos” (Const. Dogm. Lumen Gentium, 7).

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Catequese do Papa Francisco: Povo de Deus – 12/06/2013



CATEQUESE - POVO DE DEUS
Praça São Pedro
Quarta-feira, 12 de junho de 2013


Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de concentrar-me brevemente sobre um dos termos com o qual o Concílio Vaticano II definiu a Igreja, aquele do “Povo de Deus” (cfr. Const. Dog. Lumen Gentium, 9; Catecismo da Igreja Católica, 782). E o faço com algumas perguntas, sobre as quais cada um poderá refletir.


(na foto vemos a multidão, que toda quarta-feira, lota a Praça de S. Pedro)

1. O que significa dizer ser “Povo de Deus”? Antes de tudo quer dizer que Deus não pertence propriamente a algum povo; porque Ele nos chama, convoca-nos, convida-nos a fazer parte do seu povo, e este convite é dirigido a todos, sem distinção, porque a misericórdia de Deus “quer a salvação para todos” (1 Tm 2, 4). Jesus não diz aos Apóstolos e a nós para formarmos um grupo exclusivo, um grupo de elite. Jesus diz: ide e fazei discípulos todos os povos (cfr Mt 28, 19). São Paulo afirma que no povo de Deus, na Igreja, “não há judeu nem grego… pois todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gal 3, 28). Gostaria de dizer também a quem se sente distante de Deus e da Igreja, a quem está temeroso ou indiferente, a quem pensa não poder mais mudar: o Senhor chama também você a fazer parte do seu povo e o faz com grande respeito e amor! Ele nos convida a fazer parte deste povo, povo de Deus.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Catequese do Papa Francisco – 05/06/2013



CATEQUESE
Praça São Pedro
Quarta-feira, 5 de junho de 2013



Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje gostaria de concentrar-me sobre a questão do ambiente, como já tive oportunidade de fazer em diversas ocasiões. Também sugerido pelo Dia Mundial do Ambiente, promovido pelas Nações Unidas, que lança um forte apelo à necessidade de eliminar os desperdícios e a destruição de alimentos.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Catequese do Papa Francisco – A Igreja, família de Deus - 29/05/13


Catequese - A Igreja, família de Deus


Praça de São Pedro, VaticanoQuarta-feira, 29 de maio de 2013



Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Quarta-feira passada eu abordei o vínculo profundo entre o Espírito Santo e a Igreja. Hoje gostaria de começar algumas reflexões sobre o mistério da Igreja, mistério que todos nós vivemos e do qual fazemos parte. Quero utilizar expressões contidas nos textos do Concílio Vaticano II.

Hoje, a primeira: a Igreja como Família de Deus.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Catequese do Papa Francisco sobre a ação do Espírito na evangelização– 22/05/13



Catequese
Praça de São Pedro, Vaticano
Quarta-feira, 22 de maio de 2013


Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

No Credo, depois de ter professado a fé no Espírito Santo, dizemos: “Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica”. Existe uma ligação profunda entre estas duas realidades de fé: é o Espírito Santo, de fato, quem dá vida à Igreja, guia os seus passos. Sem a presença e a ação incessante do Espírito Santo, a Igreja não poderia viver e não poderia realizar a missão que Jesus ressuscitado lhe confiou, de ir e fazer discípulos todas as nações (cf. Mt 28:18). Evangelizar é a missão da Igreja e não apenas de alguns, mas a minha, a sua, a nossa missão. O apóstolo Paulo exclamou: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho” (1 Cor 9,16). Todos devem ser evangelizadores, especialmente com a vida! Paulo VI destacou que “Evangelizar… é a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar” (Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi, 14).


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Catequese do Papa Francisco sobre a ação do Espírito Santo – 15/05/13


Praça de São Pedro, Vaticano


Quarta-feira, 15 de maio de 2013





Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, quero centrar-me na ação que o Espírito Santo realiza na condução da Igreja e de cada um de nós rumo à Verdade. Jesus disse aos discípulos: “O Espírito Santo ‘vos guiará à verdade’ (Jo 16:13), sendo ele mesmo ‘o Espírito da verdade’” (cf. Jo 14:17, 15:26, 16:13).

Vivemos em uma época na qual somos, cada vez mais, cético em relação à verdade. Bento XVI falou, muitas vezes, sobre o relativismo, a tendência de acreditar que não há nada de definitivo e pensar que a verdade vem pelo consentimento ou por aquilo que queremos.

Surge a pergunta: existe realmente a verdade? O que é a verdade? Podemos conhecê-la? Podemos encontrá-la? Aqui, vem-me à mente a pergunta do procurador romano Pôncio Pilatos, quando Jesus revela o sentido profundo de Sua missão: “O que é a verdade?” (Jo 18,37.38). Pilatos não consegue entender que a Verdade está diante dele, não consegue ver em Jesus a face da verdade, que é o rosto de Deus. E Jesus, de fato, é a Verdade que, na plenitude dos tempos, “se fez carne” (Jo 1,1.14), veio a nós para que nós a conhecêssemos. Ela não se agarra como uma coisa, mas se encontra. Não é uma posse, é um encontro com uma Pessoa.




domingo, 12 de maio de 2013

Summorum Pontificum no Espírito Santo - BR


Dúvidas, falar com Lucas Lagasse (027-9995-9285).

Coreografia Religiosa

Gabriel Novis Neves

Nasci na primeira metade do século XX. Naquela época os religiosos/as da Igreja Católica Apostólica Romana, usavam vestes próprias: as batinas e os hábitos. As missas eram realizadas em latim, com o oficiante em um altar de costas para os fiéis. Nem pensar em receber a Santa Eucaristia sem antes passar pelo confessionário. A igreja era um lugar de paz, meditação consagração e agradecimento. Um órgão acompanhava uma cantora lírica e um coral na interpretação dos hinos sagrados, que penetravam fundo em nossos corações. Era o ritual da fé. Saíamos do templo sagrado certos do perdão alcançado e de alguma graça pedida e recebida.


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Catequese do Papa Francisco sobre o Espírito Santo – 08/05/13



Catequese
Praça de São Pedro, no Vaticano
Quarta-feira, 08 de maio de 2013






Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

O tempo Pascal que, com alegria estamos vivendo, guiado pela liturgia da Igreja, é por excelência o tempo do Espírito Santo dado “sem medida” (cf. Jo 3:34) por Jesus crucificado e ressuscitado. Este tempo de graça termina com a festa de Pentecostes, quando a Igreja revive o derramamento do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos reunidos em oração no Cenáculo.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Catequese do Papa no dia de São José Operário – 01/05/13



Catequese
Praça de São Pedro, no Vaticano
Quarta-feira, 1º de maio de 2013


Caros irmãos e irmãs,
Bom dia!

Hoje, 1º de maio, celebramos São José Operário e iniciamos o mês tradicionalmente dedicado a Nossa Senhora. No nosso encontro de hoje, quero focar estas duas figuras importantes na vida de Jesus, da Igreja e nas nossas vidas, com duas breves reflexões: primeiro, sobre o trabalho, segundo, sobre a contemplação de Jesus.

No Evangelho de São Mateus, em um dos momentos em que Jesus retorna à sua região, a Nazaré, e fala na sinagoga, destaca-se o espanto de seus compatriotas por sua sabedoria. Eles se perguntam: “Não é este o filho do carpinteiro? “(13:55). Jesus entra em nossa história, está entre nós, nascido de Maria pelo poder de Deus, mas com a presença de São José, o pai legal, de direito, que cuida d’Ele e também lhe ensina seu trabalho. Jesus nasce e vive em uma família, na Sagrada Família, aprendendo com São José o ofício de carpinteiro, na carpintaria em Nazaré, dividindo com ele seus compromissos, esforços, satisfação e as dificuldades do dia a dia.

terça-feira, 30 de abril de 2013

O TRABALHO DIGNIFICADO


(Foto tirada no Domingo de Páscoa, após a Solene Missa Pontifical cantada por Dom Fernando Rifan. Da esquerda para a direita: Tiago Martins, Arthur Menegrado, Vanessa Gatti, Dom Rifan, eu e minha irmã Satiê Lagasse. Um verdadeiro pai para nós!)


Dom Fernando Arêas Rifan*

Dia 1º de maio celebramos a festa de São José operário, patrono e modelo dos trabalhadores. Esta festa foi instituída pelo Papa Pio XII, desejoso de ajudar os trabalhadores a santificar o seu dia, já mundialmente comemorado. De origem nobre da Casa de Davi, ganhando a vida como simples carpinteiro, São José harmoniza bem a união de classes que deve existir em uma sociedade cristã, onde predominam a justiça e a caridade.
O trabalho é obra de Deus. Deus, ao criar o homem, colocou-o no jardim do Éden para nele trabalhar. O trabalho existe, portanto, antes do pecado. Depois deste, passou a ter a conotação de penitência, pois adquiriu uma nota de dificuldade e o necessário esforço para desempenhá-lo: “Comerás o pão com o suor do teu rosto” (Gn 3,19).
Assim, o trabalho tem o aspecto natural necessário para o nosso sustento e o aspecto adicional de penitência, pois ele contraria nossa tendência, exacerbada pelo pecado, à preguiça e ao relaxamento. O trabalho é algo muito digno e nobre, seja ele qual for, desde que seja honesto e nos encaminhe para Deus, seu autor.
Um dos pontos salientes da Doutrina Social da Igreja é a superioridade do trabalho, pelo seu caráter pessoal, a todo e qualquer outro fator de produção, em particular sobre o capital, embora ambos sejam complementares e não antagônicos. De nada vale o capital sem o trabalho, nem o trabalho sem o capital. É inteiramente falso atribuir ou só ao capital ou só ao trabalho o produto do concurso de ambos, e é deveras injusto que um deles, negando a eficácia do outro, se arrogue a si todos os frutos (cf. Laborem exercens, Rerum novarum, Quadragesimo anno). 
O trabalho é também expressão do amor. “A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro... Aquele que era designado como o ‘filho do carpinteiro’, tinha aprendido o ofício de seu ‘pai’ adotivo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, é-o analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro... O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho uma acentuação especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus ele foi acolhido no mistério da Encarnação, como também foi redimido de maneira particular. Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção... Trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana, no que cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que pode ser proposta apontando para um modelo accessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o Cristianismo enaltece para grandes destinos; é a prova de que para serem bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam grandes coisas, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas” (B. João Paulo II, Ex. Apost. Redemptoris Custos).

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Catequese com Papa Francisco – 24/04/2013 - no Ano da Fé


<<Et iterum venturus est cum gloria, judicare vivos et mortuos>>



Salve Maria! Irmãos, nesses dias conturbados, ouçamos a Voz de Pedro!


CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 24 de abril de 2013



Queridos irmãos e irmãs, bom dia! 


No Credo nós professamos que Jesus “de novo virá na glória para julgar os vivos e os mortos”. A história humana começou com a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus e se conclui com o juízo final de Cristo. Muitas vezes nos esquecemos destes dois pólos da história, e sobretudo a fé no retorno de Cristo e no juízo final às vezes não é assim tão clara e forte no coração dos cristãos. Jesus, durante a vida pública, concentrou-se sempre na realidade da sua última vinda. Hoje gostaria de refletir sobre três textos evangélicos que nos ajudam a entrar neste mistério: aquele das dez virgens, aquele dos talentos e aquele sobre o juízo final. Todos os três fazem parte do discurso de Jesus sobre os fins dos tempos, no Evangelho de São Mateus. 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Catequese do Papa Francisco, 10 de abril de 2013



Catequese
Praça São Pedro 
Quarta-feira, 10 de abril de 2013


Boletim da Santa Sé
Tradução: Sergio Coutinho (CN Roma)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Na catequese passada nossa atenção foi para o evento da Ressurreição de Jesus, no qual as mulheres tiveram uma lugar especial. Hoje gostaria de refletir sobre a realidade salvífica. O que significa para a nossa vida a Ressurreição? E porque sem ela é vã a nossa fé? A nossa fé se fundamenta sobre a Morte e Ressurreição de Cristo, assim como uma casa se apoia sobre a fundação: cedendo esta, cai toda a casa. Sobre a cruz, Jesus ofereceu-se a si mesmo levando sobre si os nossos pecados e descendo ao abismo da morte e na Ressureição os venceu, os tirou e nos abriu a via para renascer para uma vida nova. São Pedro se expressa sinteticamente no início de sua Primeira Carta, como nós escutamos: “Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível.” (I Pd 1, 3-4).
O apóstolo nos diz que com a Ressurreição de Jesus algo absolutamente novo acontece: somos libertos da escravidão do pecado e nos tornamos filhos de Deus, somos gerados para uma vida nova. Quando se realiza isto em nós? No Sacramento do Batismo. Antigamente, este era recebido normalmente por imersão. Aquele que deveria ser batizado descia na grande piscina do Batistério, deixando as suas vestes, e o Bispo ou Presbítero derramava por três vezes água na sua cabeça, batizando-o em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo. Depois o batizado saía da piscina e vestia vestes brancas novas: tinha nascido para uma vida nova, imergindo-se na Morte e Ressurreição de Cristo. Tornava-se filho de Deus. São Paulo na Carta aos Romanos escreve: “vós recebestes o Espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai!” (Rm 8, 15). E é o Espírito que nós recebemos no batismo que nos ensina, nos impulsiona, a dizer a Deus: “Pai”, ou melhor “Abbá!” que significa “Paizinho”. Assim é o nosso Deus: é um Pai para nós. O Espírito Santo realiza em nós esta nova condição de filho de Deus. E este é o maior dom que recebemos do Mistério Pascal de Jesus. Deus nos trata como filhos, nos compreende, nos perdoa, nos abraça, nos ama também quando erramos. Já no Antigo Testamento, o profeta Isaías afirmava que se ainda uma mãe se esquecesse dos filhos, Deus jamais se esqueceria de nós, em nenhum momento (cfr 49,15). E isto é muito bonito! 
Todavia, esta relação de filiação com Deus não é como um tesouro que conservamos num canto de nossa vida, mas deve crescer, deve ser alimentada a cada dia através da escuta da Palavra de Deus, a oração, a participação aos Sacramentos, especialmente da Penitência e da Eucaristia, e a caridade. Nós podemos viver como filhos! Isto quer dizer que cada dia devemos deixar que Cristo nos transforme e nos faça como Ele; quer dizer procurar viver como cristãos, buscar segui-lo, ainda que vejamos os nossos limites e as nossas fraquezas. A tentação de deixar Deus de lado para colocar no centro nós mesmos está sempre às portas e a experiência do pecado fere a nossa vida cristã, o nosso ser filhos de Deus. Por isto devemos ter a coragem da fé e não nos deixar conduzir pela mentalidade que nos diz: Deus não serve, não é importante para você”, e assim por diante. É exatamente o contrário: somente comportando-nos como filhos de Deus, sem desanimar com as nossas quedas, com os nossos pecados, sentindo-nos amados por Ele, a nossa vida será nova, animada pela serenidade e pela alegria. Deus é a nossa força! Deus é a nossa esperança!
Queridos irmãos e irmãs, devemos, nós em primeiro lugar, ter firmes esta esperança e devemos ser um sinal visível, claro, luminoso para todos, O Senhor Ressuscitado é a esperança que não nos engana (cfr. Rm 5,5). A esperança não nos engana. Aquela do Senhor! Quantas vezes na nossa vida as esperanças se vão, quantas vezes as expectativas que temos no coração não se realizam! A esperança de nós cristãos é forte, segura, sólida nesta terra, onde Deus nos chamou a caminhar, e é aberta para a eternidade, porque é fundada em Deus, que é sempre fiel. Não podemos esquecer: Deus é sempre fiel; Deus é sempre fiel conosco. Ser ressuscitado com Cristo mediante o Batismo, com o dom da fé, para uma herança que não se corrompe, nos leva a buscar as coisas de Deus, a pensar mais Nele, a pensar como Ele, agir como Ele, amar como Ele; é deixar que Ele tome posse da nossa vida e a mude, a transforme, a livre das trevas do mal e do pecado.
Queridos irmãos e irmãs, a quem nos pedir as razões da esperança que está em nós (cfr Pd 3, 15), indiquemos o Cristo Ressuscitado. Indiquemos com o anúncio da Palavra, mas sobretudo com a nossa vida de ressuscitados. Mostremos a alegria de sermos filhos de Deus, a liberdade que nos doa o viver em Cristo, que é a verdadeira liberdade, que nos salva da escravidão do mal, do pecado, da morte! Olhemos para a Pátria celeste, teremos uma nova luz e força também no nosso compromisso e nas nossas tarefas cotidianas. É um serviço precioso que devemos dar a este nosso mundo, que normalmente não consegue mais levantar o olhar para o alto, não consegue mais levantar o olhar para Deus.

Franciscum PP.

sábado, 6 de abril de 2013

Primeira Catequese de Sua Santidade o Papa Francisco - Semana Santa, 27/03/2013.



Salve Maria! Irmãos, segue a primeira catequese do Santo Padre Francisco. Sobre a Semana Santa, a Semana Maior. Peço desculpas por não atualizar o blog com frequência, vicissitudes da vida. Oremos muito, e nos refugiemos debaixo da proteção da Virgem Maria! Alegremo-nos, pois o Senhor Ressuscitou, como disse, Aleluia!

CATEQUESE
Praça São Pedro – Vaticano
Quarta-feira, 27 de março de 2013




Irmãos e irmãs, bom dia!

Tenho o prazer de acolher-vos nesta minha primeira Audiência Geral. Com grande reconhecimento e veneração acolho o “testemunho” das mãos do meu amado predecessor Bento XVI. Depois da Páscoa retomaremos as catequeses do Ano da Fé. Hoje gostaria de concentrar-me um pouco sobre a Semana Santa. Com o Domingo de Ramos iniciamos esta Semana – centro de todo o Ano Litúrgico – na qual acompanhamos Jesus em sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Mas o que pode querer dizer viver a Semana Santa para nós? O que significa seguir Jesus em seu caminho no Calvário para a Cruz e a ressurreição? Em sua missão terrena, Jesus percorreu os caminhos da Terra Santa; chamou 12 pessoas simples para que permanecessem com Ele, compartilhando o seu caminho e para que continuassem a sua missão; escolheu-as entre o povo cheio de fé nas promessas de Deus. Falou a todos, sem distinção, aos grandes e aos humildes, ao jovem rico e à pobre viúva, aos poderosos e aos indefesos; levou a misericórdia e o perdão de Deus; curou, consolou, compreendeu; doou esperança; levou a todos a presença de Deus que se interessa por cada homem e cada mulher, como faz um bom pai e uma boa mãe para cada um de seus filhos. Deus não esperou que fôssemos a Ele, mas foi Ele que se moveu para nós, sem cálculos, sem medidas. Deus é assim: Ele dá sempre o primeiro passo, Ele se move para nós. Jesus viveu a realidade cotidiana do povo mais comum: comoveu-se diante da multidão que parecia um rebanho sem pastor; chorou diante do sofrimento de Marta e Maria pela morte do irmão Lázaro; chamou um cobrador de impostos como seu discípulo; sofreu também a traição de um amigo. Nele Deus nos doou a certeza de que está conosco, em meio a nós. “As raposas – disse Ele, Jesus – as raposas têm suas tocas e as aves do céu os seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde repousar a cabeça” (Mt 8, 20). Jesus não tem casa porque a sua casa é o povo, somos nós, a sua missão é abrir a todos as portas de Deus, ser a presença do amor de Deus.

Na Semana Santa nós vivemos o ápice deste momento, deste plano de amor que percorre toda a história da relação entre Deus e a humanidade. Jesus entra em Jerusalém para cumprir o último passo, no qual reassume toda a sua existência: doa-se totalmente, não tem nada para si, nem mesmo a vida. Na Última Ceia, com os seus amigos, compartilha o pão e distribui o cálice “por nós”. O Filho de Deus se oferece a nós, entrega em nossas mãos o seu Corpo e o seu Sangue para estar sempre conosco, para morar em meio a nós. E no Monte das Oliveiras, como no processo diante de Pilatos, não oferece resistência, doa-se; é o Servo sofredor profetizado por Isaías que se despojou até a morte (cfr Is 53,12).

Jesus não vive este amor que conduz ao sacrifício de modo passivo ou como um destino fatal; certamente não esconde a sua profunda inquietação humana diante da morte violenta, mas se confia com plena confiança ao Pai. Jesus entregou-se voluntariamente à morte para corresponder ao amor de Deus Pai, em perfeita união com a sua vontade, para demonstrar o seu amor por nós. Na cruz Jesus “me amou e entregou a si mesmo” (Gal 2,20). Cada um de nós pode dizer: amou-me e entregou a si mesmo por mim. Cada um pode dizer este “por mim”.

O que significa tudo isto para nós? Significa que este é também o meu, o teu, o nosso caminho. Viver a Semana Santa seguindo Jesus não somente com a emoção do coração; viver a Semana Santa seguindo Jesus quer dizer aprender a sair de nós mesmos – como disse domingo passado – para ir ao encontro dos outros, para ir para as periferias da existência, mover-nos primeiro para os nossos irmãos e as nossas irmãs, sobretudo aqueles mais distantes, aqueles que são esquecidos, aqueles que tema mais necessidade de compreensão, de consolação, de ajuda. Há tanta necessidade de levar a presença viva de Jesus misericordioso e rico de amor!

Viver a Semana Santa é entrar sempre mais na lógica de Deus, na lógica da Cruz, que não é antes de tudo aquela da dor e da morte, mas aquela do amor e da doação de si que traz vida. É entrar na lógica do Evangelho. Seguir, acompanhar Cristo, permanecer com Ele exige um “sair”, sair. Sair de si mesmo, de um modo cansado e rotineiro de viver a fé, da tentação de fechar-se nos próprios padrões que terminam por fechar o horizonte da ação criativa de Deus. Deus saiu de si mesmo para vir em meio a nós, colocou a sua tenda entre nós para trazer-nos a sua misericórdia que salva e doa esperança. Também nós, se desejamos segui-Lo e permanecer com Ele, não devemos nos contentar em permanecer no recinto das 99 ovelhas, devemos “sair”, procurar com Ele a ovelha perdida, aquela mais distante. Lembrem-se bem: sair de nós mesmo, como Jesus, como Deus saiu de si mesmo em Jesus e Jesus saiu de si mesmo por todos nós.

Alguém poderia dizer-me: “Mas, padre, não tenho tempo”, “tenho tantas coisas a fazer”, “é difícil”, “o que posso fazer com as minhas poucas forças, também com o meu pecado, com tantas coisas?”. Sempre nos contentamos com alguma oração, com uma Missa dominical distraída e não constante, com qualquer gesto de caridade, mas não temos esta coragem de “sair” para levar Cristo. Somos um pouco como São Pedro. Assim que Jesus fala de paixão, morte e ressurreição, de doação de si, de amor para todos, o Apóstolo o leva para o lado e o repreende. Aquilo que diz Jesus perturba os seus planos, parece inaceitável, coloca em dificuldade as seguranças que se havia construído, a sua ideia de Messias. E Jesus olha para os discípulos e dirige a Pedro talvez uma das palavras mais duras dos Evangelhos: “Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens” (Mc 8, 33). Deus pensa sempre com misericórdia: não se esqueçam disso. Deus pensa sempre com misericórdia: é o Pai misericordioso! Deus pensa como o pai que espera o retorno do filho e vai ao seu encontro, vê-lo vir quando ainda é distante…O que isto significa? Que todos os dias ia ver se o filho retornava a casa: este é o nosso Pai misericordioso. É o sinal que o esperava de coração no terraço de sua casa. Deus pensa como o samaritano que não passa próximo à vítima olhando por outro lado, mas socorrendo-a sem pedir nada em troca; sem perguntar se era judeu, se era pagão, se era samaritano, se era rico, se era pobre: não pergunta nada. Não pergunta essas coisas, não pergunta nada. Vai em seu auxílio: assim é Deus. Deus pensa como o pastor que doa a sua vida para defender e salvar as ovelhas.

A Semana Santa é um tempo de graça que o Senhor nos doa para abrir as portas do nosso coração, da nossa vida, das nossas paróquias – que pena tantas paróquias fechadas! – dos movimentos, das associações, e “sair” de encontro aos outros, fazer-nos próximos para levar a luz e a alegria da nossa fé. Sair sempre! E isto com amor e com a ternura de Deus, no respeito e na paciência, sabendo que nós colocamos as nossas mãos, os nossos pés, o nosso coração, mas em seguida é Deus que os orienta e torna fecunda cada ação nossa.

Desejo a todos viver bem estes dias seguindo o Senhor com coragem, levando em nós mesmos um raio do seu amor a quantos encontrarmos.

Fraciscum PP