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sábado, 4 de agosto de 2012

Os Sete Sacramentos - MATRIMÔNIO


Retirado do
Catecismo Maior de São Pio X
Quarta Parte
Dos Sacramentos





§ 1º - Natureza do Sacramento do Matrimônio

826) Que é o Sacramento do Matrimônio?

O Matrimônio é um Sacramento instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo, que estabelece uma união santa e indissolúvel entre o homem e a mulher, e lhes dá a graça de se amarem um ao outro santamente, e de educarem cristãmente seus filhos.


827) Por quem foi instituído o Matrimônio?

O Matrimônio foi instituído pelo próprio Deus no Paraíso terrestre; e no Novo Testamento foi elevado por Jesus Cristo à dignidade de Sacramento.


828) Tem o Sacramento do Matrimônio alguma significação especial?

O Sacramento do Matrimônio significa a união indissolúvel de Jesus Cristo com a Santa Igreja, sua esposa e nossa Mãe amantíssima.


829) Por que se diz que o vínculo do Matrimônio é indissolúvel?

Diz-se que o vínculo do Matrimônio é indissolúvel, isto é, que não se pode quebrar senão pela morte de um dos cônjuges, porque assim o estabeleceu Deus desde o começo, e assim o proclamou solenemente Jesus Cristo, Senhor Nosso.


830) No Matrimônio cristão, poder-se-ia separar o contrato do Sacramento?

Não. No Matrimônio entre cristãos o contrato não se pode separar do Sacramento, porque para eles o Matrimônio não é outra coisa senão o mesmo contrato natural, elevado por Jesus Cristo à dignidade de Sacramento.


831) Então, entre os cristãos não pode haver verdadeiro Matrimônio que não seja Sacramento?

Entre os cristãos não pode haver verdadeiro Matrimônio que não seja Sacramento.


832) Que efeitos produz o Sacramento do Matrimônio?

O Sacramento do Matrimônio:
1º dá um aumento da graça santificante;
2º confere a graça especial para se cumprirem fielmente todos os deveres matrimoniais.



§ 2º - Ministros, cerimônias e disposições para o Matrimônio
833) Quem são os ministros do Sacramento do Matrimônio?

Os ministros deste Sacramento são os mesmos esposos, que reciprocamente conferem e recebem o Sacramento.


834) De que maneira se administra este Sacramento?

Este Sacramento, porque conserva a natureza de contrato, é administrado pelos mesmos contraentes, declarando na presença do próprio pároco, ou de outro Sacerdote devidamente autorizado, e de duas testemunhas, que se unem em matrimônio.


835) Para que serve então a bênção que o pároco dá aos esposos?

A bênção que o pároco dá aos esposos não é necessária para constituir o Sacramento, mas é dada para sancionar em nome da Igreja a sua união, e para atrair sempre mais sobre eles as bênçãos de Deus.


836) Que intenção deve ter quem contrai Matrimônio?

Quem contrai Matrimônio deve ter intenção:
1º de fazer a vontade de Deus, que o chama a tal estado;
2º de procurar nele a salvação da própria alma;
3º de educar cristãmente os filhos, se Deus lhos der.


837) De que maneira se devem dispor os esposos para receber com fruto o Sacramento do Matrimônio?

Os esposos, para receber com fruto o Sacramento do Matrimônio, devem:
1º encomendar-se de todo o coração a Deus, para conhecer a sua vontade e para alcançar dEle as graças que são necessárias em tal estado;
2º consultar os próprios pais, antes de chegar ao noivado, como o exige a obediência e o respeito devido aos mesmos;
3º preparar-se com uma boa confissão, até mesmo geral, se for necessário, de toda a vida;
4º evitar toda a familiaridade perigosa de trato e de palavras, ao conversarem mutuamente antes de receberem este Sacramento.


838) Quais são as principais obrigações das pessoas unidas em Matrimônio?

As pessoas unidas em Matrimônio devem:
1º guardar inviolada a fidelidade conjugal, e proceder sempre cristãmente em tudo;
2º amar-se mutuamente, suportando-se um ao outro com paciência, e viver em paz e harmonia;
3º se têm filhos, cuidar seriamente de prover às suas necessidades, dar-lhes educação cristã, e deixar-lhes a liberdade de escolher o estado de vida a que Deus os chamar.



§ 3º - Condições e impedimentos do Matrimônio
839) Que é necessário para contrair validamente o Matrimônio cristão?

Para contrair validamente o Matrimônio cristão é necessário estar livre de qualquer impedimento matrimonial dirimente, e dar livremente o próprio consentimento ao contrato do Matrimônio na presença do próprio pároco ou de um Sacerdote devidamente autorizado, e de duas testemunhas.


840) Que é necessário para contrair licitamente o Matrimônio cristão?

Para contrair licitamente o Matrimônio cristão, é necessário estar livre dos impedimentos matrimoniais impedientes, estar instruído nas verdades principais da religião, e estar em estado de graça. Não estando em estado de graça, cometer-se-ia um sacrilégio.


841) Que são os impedimentos matrimoniais?

Os impedimentos matrimoniais são certas circunstâncias que tornam o matrimônio ou inválido ou ilícito. No primeiro caso chamam-se impedimentos dirimentes, no segundo impedimentos impedientes.


842) Dai-me alguns exemplos de impedimentos dirimentes.

Impedimentos dirimentes são, por exemplo, a consanguinidade até ao terceiro grau, o parentesco espiritual, o voto solene de castidade, a diversidade de culto entre batizados e não batizados etc.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A Sagrada Liturgia e a secularização


por Jonatan Rocha do Nascimento



Primeiramente, para iniciarmos este pequeno texto, cumpre-nos justificar a motivação que nos impele a escrita. Antes de tudo, está o amor de Cristo, sobre o qual nada deve se sobrepor e, consequentemente, a crescente secularização da sociedade mundial, em especial, a sociedade brasileira. 

De maneira velada, ou nem tanto, se quer retirar qualquer vestígio de Cristianismo da sociedade humana ou, sejamos mais diretos, de qualquer símbolo que expresse a fé católica, milenarmente transmitida aos quatro cantos do mundo, sendo alicerce de gerações, sistemas, filosofias, ciências, etc[1]

Este mesmo mundo civilizado e desenvolvido pelos ensinamentos provenientes da cultura católica, desejam, a todo custo, extirpá-la de seu meio e, pior ainda, querem apagar a imagem de Deus, banalizando-a, diminuindo seu valor, reduzindo a fé a mero culto privado que, de modo algum pode extrapolar os limites que foram impostos. 

O Santo Padre Leão XIII, na iminência de um novo milênio, dizia que um dos maiores infortúnios é o desconhecimento de Nosso Senhor Jesus, contudo, pior ainda, “tê-Lo conhecido, e depois de negar ou esquecê-Lo, é um crime tão sujo e tão insano que parece impossível para qualquer homem ser culpado dela”[2]

E se com um beijo Cristo foi traído, hoje Ele é traído com gestos muito menos delicados, insultos e injúrias, contra Sua própria figura e contra as verdades reveladas na Sagrada Escritura, ambos resguardados pela Santa Igreja Católica. 

Neste contexto, somos provocados à reações, reações cristãs, para que não se ponha o luzeiro debaixo de uma vasilha. Se somos, portanto, luzes neste mundo, devemos ser com tal, iluminando a escuridão da incredulidade e da falta de fé que, lamentavelmente, quer se infiltrar no seio da Igreja. Para visualizarmos claramente este panorama, basta que se pergunte aos mais antigos, o número de confrarias em honra a Nossa Senhora, quantos terços eram recitados nas casas e nas Igrejas, quão devotas eram as senhoras que rezavam as novenas dos santos, quantas romarias e procissões eram feitas, sempre resplandecendo a cultura da sociedade católica. 

Hoje, mal se saber rezar as principais orações dos cristãos, não se conhece os Sagrados Mistérios da Encarnação e Morte de Nosso Senhor, desdenha-se da Imaculada Conceição da Maria Santíssima, bem como de sua Assunção ao Céu. Já não se recomenda sua proteção poderosíssima, nem de seu Castíssimo Esposo São José. E o que falar da Santa Missa, este Divino Mistério de nossa redenção? 

Ora, se queremos que todos sejam conduzidos à glória de Deus, devemos, em primeiro lugar, glorificá-lo com nossas vidas, com atitudes e, sobretudo, com amor inabalável aos divinos mistérios administrados pela Igreja, por meio dos sacerdotes. Demonstrando amor verdadeiro às riquezas espirituais da Igreja, inspiraremos, pela graça de Deus, o amor – senão ao menos simpatia- daqueles que hoje nos beijam a face. 

Assim, começaremos tecer breves comentários acerca do tesouro espiritual da Igreja, sobretudo o Santo Sacrifício da Missa, com a finalidade de despertar zelo, reverência e amor à Nosso Senhor Jesus Cristo, para Sua maior glória, e para santificação das almas, especialmente, a nossa. 

A Santa Mãe de Deus, por seu poderoso amparo, faça despertar o amor ao Cristo Crucificado e, mortos com Ele, vivemos o amor perfeito Nele. 

[1]             Com efeito, onde quer que a Igreja tenha penetrado, imediatamente tem mudado a face das coisas e impregnado os costumes públicos não somente de virtudes até então desconhecidas, mas ainda de uma civilização toda nova. Todos os povos que a têm acolhido se distinguiram pela doçura, pela equidade e pela glória dos empreendimentos. (Leão XIII, Enc. Immortale Dei)
[2]             Tametsi Futura  Prospicientibus, nº 3.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Caritas Christi urget nos. (Parte I)


Caritas Christi urget nos.

Por Jonatan Rocha do Nascimento


Introdução

Sabemos que, ao longo da humanidade, no desenrolar da história, o homem sempre almejou alcançar a transcendência espiritual: o inimaginável, o invisível, o misticismo.

O Catecismo da Santa e Amada Mãe Igreja diz que, “[...]e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar [...]”1, revelando que o ser humano, atraído por Deus, muitas vezes sem buscar na Verdadeira Fonte, enveredou-se- como ainda o faz- por caminhos muitas vezes tortuosos, equivocados, em contraposição ao Amor Infinito, que nos impele.

Pensa-se, então, que para os antigos era mais difícil buscar a verdadeira fé, o verdadeiro amor, o verdadeiro Deus, Aquele que é. Isto porque muitas eram as ideias e doutrinas pagãs, muitas eram as barbáries cometidas, que afastavam o século da eternidade.

Atualmente, contudo, vejo que não é bem assim. As coisas, ao meu ver, pioraram- e é só o início.

Quero tão somente exprimir meu pensamento, razão pela qual a adoção de uma linguagem impessoal poderia provocar um distanciamento do que escreve com o que sinto, o que não é meu objetivo.

Quero me aproximar das realidades que muitos por aí veem e não sabem ou tem medo de se pronunciar. Estou aprendendo com muitos santos, que o medo não é dom de Deus e não pode ser confundido com o temor reverencial ou com a cautela.

Assim, acredito eu, que impelido por Cristo, resolvi escrever este pequeno texto, que além de um pedido é um desabafo.


A revelação de Deus

Atendendo às súplicas do povo, a Eternidade passa a exilar-se no século, como diria a própria Terezinha de Lisiéux, revelando-se, feito mortal, o Altíssimo.

Da mesma forma, nos ensina o Doutor Místico, São João da Cruz:
Porque em dar-nos, como nos deu, seu Filho, que é sua Palavra única (e outra não há), tudo nos falou de uma só vez nessa única Palavra, e nada mais tem a falar, (...) pois o que antes falava por partes aos profetas agora nos revelou inteiramente, dando-nos o Tudo que é seu Filho2.
Assim, vemos que, a Luz da qual João Batista dava testemunho, Deum de Deo, lumen de lumine, Deum verum de Deo vero”3, vem nos visitar e querendo ficar conosco, razão pela qual Ele mesmo funda sua Igreja, sob a chefia de Pedro, e institui os Santos Sacramentos, dos quais a Eucaristia é o maior, "fonte e ápice de toda a vida cristã 4". E é aqui que quero me deter.

Fiz essa rápida retrospectiva somente para introduzirmos o assunto que nos preocupa, a Augustíssima Eucaristia, como é chamada no Código de Direito Canônico.


O Santíssimo e Augustíssimo Sacramento da Eucaristia

São Paulo nos dirá: “O amor de Cristo nos constrange, considerando que, se um só morreu por todos, logo todos morreram. Sim, ele morreu por todos, a fim de que os que vivem já não vivam para si, mas para aquele que por eles morreu e ressurgiu” (Cor. 5, 14-15).

Por esta razão, todo o ser humano, principalmente os cristãos, devem viver esta realidade, abrasados pelo amor de Deus, que nos quer comunicar e nos transformar Nele. Os católicos, ainda mais!

Esta exigência, tanto a mim mesmo, quanto a todos que são honrados com este nome, deve-se ao fato de que na Igreja de Cristo, reside a plenitude da fé cristã, reside a graça e, muito mais que isso, o Divino Autor e Senhor de toda a graça existente: o Deus Trino.

Nossa alegria reside em Deus porque ele mesmo é a Alegria Verdadeira. Alegria desprendida da euforia, da algazarra, dos holofotes, das demonstrações exteriores e/ou visíveis. De modo que, ao observarmos uma partícula eucarística, onde quer que estivermos, devemos nos perguntar: Quem compreenderá tamanho mistério?


O que é, portanto, a Eucaristia?

Para mim, trata-se de um mistério inigualável, uma dádiva suprema de graças inesgotáveis, porque é a própria Graça. “A fonte e o centro de toda a vida cristã”5. “Na qual está contida todo o bem espiritual da Igreja”6.

O Sempiterno Deus, desejoso de alcançar profundamente o homem, se achega novamente à nós, no Sacrifício único de salvação, unindo-se a nós na Santa Missa, por suas próprias mãos.

É óbvio, por infinitas razões, que jamais serei capaz de explicar o mistério que se encerra nas espécies eucarísticas.

Podemos contemplar o Deus Altíssimo, tão próximo, tão íntimo, dentro de nós, e assim, possamos transformarmo-nos Nele e, ao fim, Nele viver plenamente. Vindo a nós, nos quer a Hóstia Imaculada quer também nos transformar em hóstias puras e santas.

Cabe, neste momento, expôr um dos mais belos cantos da Igreja, Panis Angelicus, que expressam com fidelidade e com profundo amor acerca da augustíssima Eucaristia:


Panis Angelicus
fit panis hominum
Dat panis coelicus figuris terminum
O res mirabilis!
Manducat Dominum
pauper pauper servus et humilis
pauper pauper servus et humilis

Panis Angelicus
fit panis hominum
Dat panis coelicus figuris terminum

O res mirabilis!
Manducat Dominum
pauper pauper servus et humilis
pauper pauper servus servus et humilis




Pão dos Anjos
Torne-se o pão dos homens;
O pão do paraíso, fim de toda dúvida
Que maravilha!
Que consome a Deus
Pobre, pobre, Humilde servo
Pobre, pobre, Humilde servo.

Pão dos Anjos
Torne-se o pão dos homens;
O pão do paraíso, fim de toda dúvida
Que maravilha!
Que consome a Deus
Pobre, pobre,Humilde servo
Pobre, pobre, Humilde servo.


Que maravilha! O pão do paraíso, que põe fim a toda dúvida, desilusão, saudade ou desespero, desce da Morada Eterna para se juntar a nós, como servo humilde.

Não há como dizer essas coisas sem lágrimas, mesmo que não sejam lágrimas nos olhos, mas provenientes do mais oculto e profundo de nossa alma. As mais preciosas lágrimas.

O Corpo e Sangue de Cristo, presente unicamente na Santa Igreja Católica, devolve-nos, pois o próprio Salvador nos possui e nos envolve, isto é, quando estamos em perfeita comunhão com Ele e com a Igreja, ornados com a sua própria graça, em condições espirituais de gozarmos de tão grande dádiva.

Assim, “o amor de Cristo nos impele” a comunicar esta notícia salvífica a tantos quantos quiserem se abrasar nesta verdadeira chama do divino amor.

O Papa João Paulo II assim nos diz: “A Eucaristia é um dom demasiado grande para ambiguidades e reduções”7. Com esta afirmativa, somos levados a professar que somos consumidos pelo zelo e ardor da alma, principalmente, quando diante do Santo Sacrifício, onde nos alimentamos destes frutos inexauríveis8

 [Continua...]

___________________________________________________________________________ 
1CIC, § 27.
2São João da Cruz, apud, CIC, § 65.
3Creio Niceno-Constantinopolitano: “Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”.
4 CIC, §1324.
5Const. Dogm. Lumen Gentium, nº 11.
6Instrução Redemptionis Sacramentum, nº 1.
7Carta Encic. Ecclesia de Eucharistia, nº 10.
8Ibidem, nº 11.