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terça-feira, 27 de novembro de 2012

São Lúcifer, rogai por nós!



Por Jonatan Rocha do Nascimento

Hoje em dia tem-se uma aversão muito grande ao nome LÚCIFER, pois logo o associamos ao Demônio, Capeta, Satanás, etc., de uma maneira não muito acertada, vez que não há um embasamento para isto.


A palavra lucifer vem do latim lucem ferre e significa “portador da luz” e, biblicamente, refere-se a “estrela da manhã”, a “estrela d’alva”, “aurora”, etc. Senão vejamos: “Et quasi meridianus fulgor consurget tibi ad vesperam, et, cum te caligine tectum putaveris, orieris ut lucifer”, que na tradução quer dizer “o futuro te será mais brilhante do que o meio-dia, as trevas se mudarão em aurora”, que se pode encontrar no versículo 17 do capítulo 11 do Livro de Jó.

A palavra lucifer se repete ainda outras vezes:

Tecum principatus in die virtutis tuae, in splendoribus sanctis, ex utero ante luciferum genui te. (Liber Psalmorum 110,3)Bíblia  Neo Vulgata

No dia de teu nascimento, já possuis a realeza no esplendor da santidade; semelhante ao orvalho, eu te gerei antes da aurora. (Salmo 109, 3) Bíblia Ave Maria

***
Quomodo cecidisti de caelo, lucifer, fili aurorae? Deiectus es in terram, qui deiciebas gentes, (Liber Isaiae 14,  12) Bíblia  Neo Vulgata.

Então! Caíste dos céus, astro brilhante, filho da aurora! Então! Foste abatido por terra, tu que prostravas as nações! (Isaías 14, 12) Fazendo menção ao Rei da Babilônia que haveria de ser derrotado.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Mostre-me o que o que assinas, que eu te direi quem és!



Por Jonatan Rocha do Nascimento

O Santo Padre, o papa Bento XVI, tem nestes últimos dias insistido que se busque o conhecimento da fé católica por meios corretos e eficazes que propaguem a fé católica e o Evangelho de Nosso Senhor, através de uma responsável utilização da internet e das redes sociais:


A verdade do Evangelho não é algo que possa ser objecto de consumo ou de fruição superficial, mas dom que requer uma resposta livre. Mesmo se proclamada no espaço virtual da rede, aquela sempre exige ser encarnada no mundo real e dirigida aos rostos concretos dos irmãos e irmãs com quem partilhamos a vida diária. Por isso permanecem fundamentais as relações humanas directas na transmissão da fé![1]


Assim, convida-se à evangelização virtual comprometida com a realidade humana, que não descura do trato humano. O que se torna um desafio, uma vez que a interação dos meios nem sempre é possível e, por vezes, uma exclui a outra.

De qualquer forma, há que se empenhar sempre na evangelização, dentro ou fora da grande rede, de modo responsável e, acima de tudo, dando testemunho do que se prega, especialmente aqueles que se propõem a fazê-lo sendo parte integrante do clero, como leigo consagrado, ou ainda, quem busca ter uma vida consagrada a Deus, um vocacionado.

Ocorre que, não raras vezes, nos vemos diante de situações que nos deixam, no mínimo encabulados.

Dada à impessoalidade das redes sociais, e de toda a internet em si, se “conhece” as pessoas através de seus perfis, estes que, por sua vez, indicam preferências, gostos, hobbies, etc. Forma-se, então, o rosto da pessoa a partir do qual cria-se um perfil particular nas mentes dos que se relacionam virtualmente com o usuário e, naturalmente, se tem uma expectativa acerca de suas publicações.

Assim, o que se pode esperar de um religioso além de mensagens bíblicas, reflexões edificantes ou inocentes mensagens de divertimento ou coisas do dia-a-dia? Estas são questões ordinárias que todos estão acostumados a ver e que, instintivamente, aguardamos.

Muitas vezes, porém, nos deparamos com comentários, publicações e fotografias que contradizem a busca de santidade da pessoa em questão que podem, além de escandalizar, provocar diversas consequências trágicas, inclusive, induzir o outro ao pecado. Assim, estes meios de evangelização tornam-se uma faca de dois gumes.

Isto porque, muitas vezes, podem-se esconder os pensamentos do mundo exterior, contudo, por “inocência” ou falta de técnica no manuseio de tais ferramentas a pessoa se expõe de tal modo que põe em risco todo o trabalho que diz promover, levando à descrença de muitos e, muitas vezes, à ridicularização da Igreja.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Dom Eugênio: Descanse em Paz.

A compreensão de uma vida dedicada a Deus chega ao seu cume, certamente, no fim da vida terrena: na vida celestial. Contudo, é possível, ainda aqui, perceber com certa clareza, a grandeza e onipotência do Senhor.

A entrega real ao serviço de Deus torna-se mais aprazível, ainda que diante de perseguições, opróbios, calúnias, quando se está convencido, por graça e amor de Cristo, que devemo-nos por inteiramente a Sua disposição, sem titubear, ainda que sejamos fracos diante de nossa condição de miseráveis pecadores.

Eis porque Paulo, em tantos momentos de sua vida, e até mesmo quando aprisionado, transparece felicidade por ter realizado com zelo e determinação sua função de pregador da Cruz do Senhor, por amor e retribuição a tudo o que foi feito a seu favor: “... Com todo o ânimo prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que pouse sobre mim a força de Cristo” (2 Cor. 12, 9).

Diminuir diante de Deus, prostrarmo-nos de joelhos em humilde reverência passa, então, a ser mais do que um jeito exterior, passa-se a fazê-lo em vida, com gestos autênticos de um real conhecimento dos propósitos celestiais do Altíssimo. A vida tem novo sentido, pois o sentido todo está compreendido e é Deus.

Na noite de ontem, fomos surpresados com a notícia do falecimento de um “intrépido pastor”, nas palavras utilizadas pelo Santo Padre Papa Bento XVI, Dom Eugênio de Araújo Cardeal Sales.

Dom Eugênio viveu, certamente, uma época difícil para toda a Igreja e, especialmente, para o Brasil, um período de mudanças abruptas que, por vezes, exigia atitudes enérgicas, firmes. Ajudou os que necessitados, abrigou quem necessitava de refúgio, alimentou que passava fome: in caritate non ficta.

Seu lema “Impendam et superimpendar” parece-nos ser uma singela mensagem de que, de fato, Sua Eminência compreendeu sua responsabilidade na condução da almas, defendendo o que é justo, mesmo diante de tantos e tantos inimigos infiltrados neste redil.

“Quanto a mim, de bom grado despenderei, e me despenderei todo inteiro, em vosso favor. Será que, dedicando-vos mais amor, serei, por isto, menos amado? (2 Cor. 12, 15)”. Eis o que diz São Paulo. Eis o que diz Dom Eugênio.

Despender significa gastar, dar, mas, no contexto, não dos outros, mas de si mesmo. Consumir-se de serviço a Deus. Gastar-se como o giz que risca a lousa, em favor da mensagem que deve transmitir para o conhecimento de todos.

A liturgia do dia de hoje, 10 de julho de 2012, termina com a seguinte frase: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!”. Um sutil apelo do Senhor à sua Igreja no Brasil e no mundo? É o que cremos.

Oremos para que, mesmo com tantos inimigos disfarçados na Grei do Altíssimo Deus, sejamos intrépidos defensores da Verdade, verdadeiros trabalhadores da messe, autênticos soldados de Cristo.

Dai a Dom Eugênio, Senhor, o descanso eterno

E a luz perpétua o ilumine

Descanse em paz.

Amém.